Amizade desfeita

Amizade desfeita

Ficha técnica


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Sinopse

Depois de sofrer cyberbullying intensivo e humilhante, Laura Barns se suicida. Um ano depois, seus amigos, ao participarem de um videochat, são aterrorizados por alguém que se identifica como sendo ela.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

10/11/2015

O surgimento do found footage, com o precursor italiano Holocausto Canibal (1980) e o divisor de águas A Bruxa de Blair (1999), ecoou, em termos visuais e narrativos, o estabelecimento e desenvolvimento da tecnologia no cotidiano das pessoas. Elevado à categoria de um subgênero, os filmes que utilizam o recurso das “imagens documentais” e subjetivas acompanharam o boom dos VHS e filmadoras até as onipresentes câmeras de celulares e de serviços de segurança, tornando-se uma fórmula muito desgastada dentro do horror.
 
Por isso, era até surpreendente que algum realizador não houvesse pensado ainda na evolução óbvia do found footage dentro das potencialidades de ambientação em uma sociedade que tem, hoje, a internet como parte indissociável de sua vida. O diretor georgiano Levan Gabriadze aparece como um dos pioneiros com seu Amizade Desfeita, longa que explora a dinâmica e os horrores da web 2.0 e recebeu uma menção especial do júri e o prêmio de filme mais inovador no canadense Fantasia Film Festival.
 
A produção é inventiva dentro de sua proposta e baixo orçamento, ao contar a história a partir de uma tela de computador, em tempo real. A bem da verdade, o premiado curta canadense Noah (2013) utilizava o mesmo recurso, mas incluindo um viés subjetivo do olhar do protagonista em seus rápidos movimentos de câmera, e o thriller Perseguição Virtual (2014) também fazia uso do mesmo, porém, em uma dinâmica alternada de dispositivos.
 
Contudo, o trabalho de Gabriadze ganha pontos na familiaridade construída ao colocar a “sua câmera” como um simples reprodutor do ecrã do Macbook da protagonista Blaire (Shelley Hennig, da série Teen Wolf) e simular no seu público-alvo a sensação de estar navegando frenética e randomicamente em seu próprio notebook. A personagem olha o Facebook entre um videochat com amigos no Skype, enquanto conversa “inbox” com o namorado Mitch (o também comediante Moses Storm), assiste vídeos no YouTube e faz pesquisas no Google, ao som de seu player no Spotify. A possibilidade de se tornar datado em poucos anos é um risco, mas a chance de o filme ter mais repercussão quando for visto em dispositivos digitais também é grande, pois seria onde seu “terror” ganharia mais dimensão.
 
A trama em si é uma mistura do popular romance de Agatha Christie E Não Sobrou Nenhum (O Caso dos Dez Negrinhos) e de Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997), longa de Jim Gillespie, com toques de O Chamado (2002)/Ringu (1998), em uma crítica ao cyberbullying. Exatamente um ano após o suicídio de Laura Barns (Heather Sossaman), cujo registro deste momento repercutiu no YouTube, assim como o vídeo que humilhou a garota e a levou a cometer tal ação, ex-colegas dela são surpreendidos enquanto conversam no Skype. Um usuário desconhecido permanece no chat e não consegue ser retirado, até se revelar como a própria Laura – que pode ser um hacker, um grupo de trolls ou o espírito da falecida –, que vem impor a eles uma espécie de “verdade e consequência” virtual e mortal, expondo uma série de segredos obscuros de cada um.
 
É claro que, já antes de assistir, fica a impressão de que a história seria mais eficiente em um curta mas, ainda assim, o longa consegue manter sua tensão, enquanto suspense psicológico, até o final, o que não quer dizer que seja competente como terror. A mudança do nome original Cybernatural, com o qual foi exibido apenas em seu primeiro festival, é um indício do quanto o material sobrenatural da narrativa foi mal explorado. A caracterização que o roteiro de Nelson Greaves, que já colaborou no texto de Sleepy Hollow (2013-), faz de Laura Barns é insuficiente quando a obra abandona a estética de um slasher movie 2.0 para apostar em um filme de espíritos.
 
De qualquer modo, Gabriadze, além de ter o trunfo do simulacro do computador do espectador, obtém bons momentos quando aproveita a linguagem do objeto que está a dissecar, usando as imagens pixealizadas e pop-up’s descontrolados mais a favor do gênero do que os jump scares, os sustos gratuitos, no final. Vale ressaltar também a total tradução do conteúdo visto na tela para o português nas cópias brasileiras, consequentemente em versões dubladas, como uma jogada da distribuidora para conquistar um grande público potencial em um país campeão de acessos em redes sociais. De todo modo, a produção, orçada em apenas US$ 1 milhão, já faturou US$ 62 milhões em todo mundo, sucesso que já lhe garantiu uma sequência, planejada para 2016.

Nayara Reynaud


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