Kuma - a segunda esposa

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Sinopse

Num vilarejo no interior da Turquia, casam-se Ayse e Hasan, rapaz que mora com a família na Áustria. O casamento, na verdade, é um arranjo, planejado por Fatma, mãe de Hasan. Muito doente, ela pensa em preparar Ayse como segunda mulher de seu marido, Mustafa, para cuidar dele e de seus filhos quando ela morrer.


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Crítica Cineweb

28/12/2015

O casamento no vilarejo interiorano da Turquia que abre Kuma – A Segunda Esposa é uma das aparências que marcam e fazem parte da própria temática da produção austríaca, que abriu a seção Panorama do Festival de Berlim de 2012. A alegria da população local pelo enlace da jovem Ayse (Begüm Akkaya) com Hasan (Murathan Muslu), o bonito rapaz que mora com a família na Áustria, contrasta com as expressões de alguns parentes do noivo. A razão, o espectador descobre logo depois, quando todos voltam a Viena: a moça é na realidade a “kuma”, uma segunda mulher, como indica o subtítulo dado no Brasil, de seu pretenso sogro, Mustafa (Vedat Erincin).
 
Na realidade, a ideia foi da primeira esposa, Fatma (Nihal G. Koldas), que, visando apenas o “bem” da sua família, recrutou alguém para cuidar de suas crianças e do marido quando ela partir, já que enfrenta o tratamento de um grave câncer. Pelo menos, este é o plano inicial dela, mas não é preciso imaginar muito para saber que o desenrolar será diferente e a rejeição inicial de parte de seus filhos à situação é um indicativo. Contudo, o cineasta estreante Umut Dag apresenta uma benvinda habilidade de jogar com as expectativas do público, que, mesmo manipulado, poderá ter algumas surpresas.
 
Filho de imigrantes curdos, nascido na Áustria, o diretor e argumentista do longa – o roteiro é de Petra Ladinigg – traz à tona os embates ocorridos dentro da comunidade islâmica, de um modo geral, transformando a família de imigrantes em alegoria de todos os agentes dessas divergências de pensamento. O choque de gerações, com seus ideais mais retrógados ou modernos, intensifica-se quando algum dos familiares se revela mais sujeito à influência do mundo ocidental, enquanto outros se mostram ainda presos aos costumes da tradicional e afastada vila turca.
 
Deste conflito, surgem temas ainda tabus dentro das culturas orientais, como a violência doméstica e a homossexualidade, por exemplo, sendo jogados para “debaixo do tapete” durante as discussões entre os membros da própria família. No entanto, o papel das mulheres, subjugadas pelos preceitos religiosos e sociais da comunidade, serve como força motriz da obra, que se sustenta em um caso absurdo, mas não menos plausível acerca do tema – não ficam claras as razões para Ayse aceitar tal proposta, ao contrário das motivações de Fatma e Hasan.
 
Há um tom melodramático, até novelesco, na trama, que não se torna prejudicial ao longa pela eficiente narrativa adotada por Dag, em uma produção simples, especialmente em termos técnicos. Se o uso irrestrito do fade in black, aquela tela preta para separar algumas sequências, não é efetivo muitas vezes, tendo seu melhor momento ao suceder a operação da matriarca, a abordagem sem maniqueísmo dos personagens garante a honestidade na tela. Outro componente da força do filme é seu vigoroso elenco, em particular de Begüm Akkaya, com a timidez e resiliência de sua protagonista, e de Nihal G. Koldas – que será vista em breve no indicado ao Globo de Ouro Cinco Graças (2015) –, na contenção de sentimentos expressada em sutilezas da grande líder do clã, que eclodirá mais à frente.
 
Por último, está a presença marcante do apartamento na história. O cenário doméstico em destaque serve como representação do aprisionamento do indivíduo, em especial das mulheres, dentro da estrutura familiar nesta cultura. Ao mesmo tempo, simboliza o espaço violado para a quebra da privacidade desta família, representante de várias, não só turcas ou islâmicas, que escondem muitos segredos por trás das aparências.

Nayara Reynaud


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Comentários:
  • 25/04/2016 - 22h35 - Por GUIDO CALLEGARI Achei a abordagem do tema, no filme bem interessante.Alguma incongruência, como a personagem com câncer sobreviver e morrer o marido, me pareceu estranha. O homossexualismo do jovem me pareceu causa principal do falso casamento, mas só é definido mais adiante.A revolta da primeira esposa com a relação de Ayscha e o colega do supermercado, exacerbada, já que supõe-se que ela já sabia da condição de Hasan, ocultando através do casamento com o personagem que vem a falecer. Contudo, o filme tem seu valor cultural, como muitos originários da região, pois nos dá uma visão dos preconceitos, fundamentalismo religioso e outros tabus da cultura do país.
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