8 ½

Ficha técnica


País


Sinopse

Guido Anselmi é um cineasta em crise que não sabe o que fazer em seu próximo filme. Enquanto remói suas ideias, passado e presente, realidade e delírios se confundem.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

05/01/2016

Dos filmes de Federico Fellini, 8 ½ é possivelmente o mais conhecido (junto com A Doce Vida), homenageado, plagiado, entre outras coisas – sem nunca, é claro, chegar minimamente perto. É um filme também com o qual o diretor se distanciou ainda mais do realismo, que marcou o início de sua carreira. É um delírio, num fluxo de consciência que se dissolve até evaporar. O que sobra são fragmentos de uma mente criativa – a do cineasta e a do protagonista, o também diretor de cinema Guido Anselmi, interpretado com icônicos óculos escuros por Marcello Mastroianni.
 
A escolha desse protagonista não se dá apenas pela familiaridade de Fellini com o metiê. Guido é a verbalização das ideias do cineasta italiano – e a perfeição dos detalhes só evidencia o quanto Fellini conhece muito bem o que e do que está falando. Não que ele se interesse por uma narrativa linear. Talvez narrativa nem seja a palavra aqui, afinal o filme é um delírio caótico de momentos nem sempre conectados.
 
O protagonista revisita suas experiências desde a infância, o aprendizado sobre a vida e as mulheres, rompendo a barreira entre passado e presente, realidade e fantasia. Ainda assim, Guido não nos passa completamente incompreensível, resultando num homem que foi extremamente mimado pelas mulheres de sua vida.
 
Amarrando tudo isso, a história de um cineasta que não sabe o que fazer com sua carreira, sua vida. Qual será seu próximo filme? O que fazer com esse bloqueio? Ou essa ansiedade que materializa o seu tempo também?
 
Guido é casado com Luisa (Anouk Aimee) e também tem uma amante (Sandra Milo). Com a primeira, uma intelectual, pouco tem a conversar, é uma melancolia só a relação dos dois. Com a segunda também já não se sente confortável, embora ainda se sinta atraído por ela. Quando se dá conta, está num spa com as duas, além de outros personagens, como um produtor e diversos atores aspirando a um papel em seu próximo filme. Ao mesmo tempo, imagina a mulher ideal – interpretada por Claudia Cardinale – que é bonita, inteligente, divertida e segura. E, embora ela o desaponte em alguns momentos, torna-se sua musa.
 
Provavelmente, junto com A Doce Vida, 8 ½ é o filme que ajudou a construir o adjetivo "felliniano". Poucos cineastas tiveram essa honra – ou maldição, vai saber. É um peso e um rótulo, é também um fetiche e uma meta que alguns tentam alcançar, sempre em vão. Mas a cópia restaurada dessa obra-prima explica facilmente o porquê de tanta fascinação.

Alysson Oliveira


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