Diplomacia

Ficha técnica


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País


Sinopse

25 de agosto de 1944. Os Aliados entram em Paris. Antes do amanhecer, o general alemão Dietrich von Choltitz prepara-se para cumprir as ordens de Adolf Hitler e explodir a capital francesa. Amanhece e Paris não é destruída. Por quais razões von Choltitz não seguiu as ordens de Hitler, apesar da sua lealdade ao Terceiro Reich?


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Crítica Cineweb

05/01/2016

“Paris está em chamas?”. Há quem diga que Adolf Hitler teria feita a pergunta quando procurava saber se seu plano de pôr a capital francesa abaixo, antes da chegada dos Aliados, teria sido colocado em prática. Não é preciso conhecer muito sobre a história da Segunda Guerra Mundial para saber que a resposta deve ter enfurecido o líder nazista, que já sem muitas expectativas de vitória no conflito quis retaliar a destruição de Berlim realizada pelos inimigos, ordenando, no dia 25 de agosto de 1944, uma série de explosões na Torre Eiffel e em pontes sobre o Rio Sena, o que inundaria a cidade e levaria cerca de 1,5 milhão de pessoas à morte.
 
O que impediu os planos alemães é o cerne de Diplomacia (2014), novo longa do cineasta Volker Schlöndorff que se concentra na véspera do pretenso ataque, quando o cônsul da Suécia, Raoul Nordling (André Dussollier), entra de surpresa na suíte do Hotel Maurice transformada em QG do general Dietrich von Choltitz (Niels Arestrup), nomeado governador na ocupação por Hitler, dias antes, especialmente para a futura tarefa.
 
Se a superprodução internacional dirigida por René Clément e roteirizada por Gore Vidal e por um jovem Francis Ford Coppola, Paris Está em Chamas? (1966), alternava entre a relação dos dois e a resistência local dos franceses, este filme, exibido no Festival de Berlim de 2014, fixa-se na conversa entre o comandante alemão e o diplomata sueco. Algo que, aliás, não aconteceu naquele dia 24 de agosto como retratado, embora a amizade entre eles tenha sido real. Tanto que se encontraram várias vezes antes da entrada dos Aliados na Cidade-Luz a fim de negociar a libertação de prisioneiros e uma possível rendição.
 
A ideia desta discussão moral tão intimista vem da peça homônima de Cyril Gely, que adaptou seu texto às telas, junto com Schlöndorff no roteiro, pelo qual ganharam um César no ano passado. Além do autor, o elenco principal da montagem teatral de 2011 veio para o projeto cinematográfico, com André Dussollier e Niels Arestrup reprisando seus antigos papéis: o primeiro, persuasivo na pele do diplomata que deveria ser neutro, e o segundo, trazendo humanidade a uma figura dividida entre as regras militares e os valores morais, a crueldade demonstrada em seu comando na guerra e atos de lucidez, como o de destaque na história.
 
Por isso, é tão visível a intimidade deles com seus personagens e um com o outro, o que se torna fundamental em um filme extremamente centrado em diálogos, em que palavras e gestos simbolizam várias ações, a exemplo de Frost/Nixon (2008), que usa o mesmo formato e também reaproveita os mesmos atores das produções teatrais em que se inspirou.
 
Apesar de não conseguir se desvencilhar de todas as armadilhas de sua origem teatral, o longa tem não só a vantagem de sua curta duração, que evita o cansaço do público, e maestria dos atores, mas uma direção eficiente de Volker para dar a sensação de que a trama até correu rápida demais. Em meio ao ambiente claustrofóbico do quarto de hotel, sua câmera nunca descansa, nem se apressa, a fim de capturar a tensão exata do momento, não só cênico, mas histórico. O prestigiado diretor alemão, que começou sua carreira na França, como assistente de renomados cineastas, como Alain Resnais, utiliza seu conhecimento dentro das duas culturas para equilibrar não só o destaque para cada um dos lados, como igualmente contrabalançar o peso moral das motivações de cada personagem.
 
Schlöndorff faz do uso ostensivo da palavra em vez da violência uma sobreposição da razão à insensatez dos tempos bélicos, reiterando seu discurso de resistência à guerra, tão evidente no premiado O Tambor (1979), pelo qual ganhou um Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e a Palma de Ouro em Cannes. Uma mensagem ecoada de maneira mais veemente quando os atentados ocorridos na França, após o lançamento da obra, aumentaram os significados da cena final, em que o público é convidado a navegar no Sena. A imagem que grita aos olhos do espectador é que, sim, nós ainda temos Paris.

Nayara Reynaud


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