Zoolander 2

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Sinopse

Depois de um tempo fora de circulação, ao enviuvar e perder contato com o filho, o supermodelo Derek é convidado a voltar às passarelas, ao lado do amigo Hansel, em Roma. Mas os dois se veem envolvidos numa trama policial.


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Crtica Cineweb

10/02/2016

Quem poderia imaginar, naquele início do milênio, que o “muito, muito, muito bonito” modelo Derek Zoolander seria uma espécie de pioneiro do Instagram com suas variadas expressões servindo de influência inconsciente da duck face, a “cara de pato” das selfies que inundam o feed não só desta, mas de outras redes sociais – muito menos que o empresário e apresentador Donald Trump, que faz uma rápida participação no filme de 2001 sobre o über model, seria um pré-candidato à presidência dos Estados Unidos com chances de êxito. Por isso, a impagável abertura da sequência da sátira ao mundo fashion e das celebridades é feliz em aproveitar essa piada pronta e oferecê-la ao público por meio do astro pop Justin Bieber.
 
Zoolander 2 não só tira proveito desse hiato de 14 anos entre os dois longas como fonte para a básica história que apresenta, na qual a “trama” de espionagem tem um papel ainda maior. Também faz graça disso e da cultura do instantâneo que está impregnada na sociedade contemporânea, especialmente em Hollywood, questionando até a fragilidade da nostalgia que motiva continuações como esta. Assim, um flashback de reportagens trazem à plateia os terríveis acontecimentos que teriam levado o modelo interpretado por Ben Stiller, que dirige e roteiriza o filme, a enviuvar, ficar separado de seu filho Derek Júnior (Cyrus Arnold) e virar um eremita no norte de Nova Jersey – essa é só uma das várias piadas do primeiro que são recicladas aqui.
 
Um fantasma o retira do exílio, quando seu amigo Billy Zane vem convidar não só ele, mas também o seu parceiro de passarelas, o hippie e pansexual Hansel (Owen Wilson), a voltar ao mundo da moda em um desfile em Roma, realizado pelo designer hipster Don Atari (Kyle Mooney). O retorno não ocorre como eles esperavam e a dupla de modelos logo se vê envolvida no caso dos assassinatos em série de várias celebridades investigado pela agente Valentina (Penélope Cruz), da divisão fashion da Interpol. Além disto, o filho de Zoolander vira o alvo da seita misteriosa e o maléfico estilista Mugatu (Will Farrell) parece estar envolvido.
 
Não faltam cantores pop, atores, modelos, estilistas e até um famoso astrofísico na longa lista de pontas na produção, na qual se destacam o roqueiro Sting com um papel decisivo, um sensível Kiefer Sutherland, um andrógino top model vivido por Benedict Cumberbatch e o esquadrão da moda em número ainda maior agora, cada vez mais não se levando a sério. O roteiro escrito por Stiller em conjunto com Justin Theroux, que volta ao seu papel de DJ do mal, Nicholas Stoller, e John Hamburg, roteirista da franquia Entrando Numa Fria, tem no humor referencial a base de seu texto.
 
Porém, há questões que são muito claras a qualquer um, a exemplo da impressão de que o longa parece uma esquete estendida e da falta de aproveitamento de alguns personagens, como a paródia de Donatella Versace vista na Alexanya Atoz da sempre interessante Kristen Wigg. Se o primeiro filme conseguia trabalhar tão bem a crítica à exploração do trabalho infantil, a sátira à busca pela juventude almejada e ostentada pela moda e por Hollywood não são tão efetivas aqui. Mantém-se, obviamente, aquele conteúdo sexual do anterior, mas de maneira debochada e, de algum modo, menos vulgar do que as comédias atuais.
 
Lançado nos EUA poucas semanas depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, os números de bilheteria do primeiro filme podem ter sido baixos. Mas o besteirol trazido por Ben Stiller, de certo modo, serviu de válvula de escape para aquele momento e, durante os anos seguintes, acabou ganhando um ar cult e uma base de fãs. Esses, com certeza vão se deliciar com a nostalgia da volta de várias piadas do original, embora a repetição do recurso possa frustrar no avançar da nova história.
 
Contudo, a produção assume o seu ridículo tão abertamente que é difícil não se render às velhas expressões de Zoolander, que fica devendo uma pose nova enquanto filme, mas, ainda sim, é um respiro na safra cômica atual para aqueles que nem sabem o que é um fax ou nunca viram o supermodelo nas telas.
 
 

Nayara Reynaud


Trailer


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