Boneco do mal

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Sinopse

Para fugir de um ex-namorado violento, a moça norte-americana Greta aceita um emprego como babá numa mansão no interior da Inglaterra. Lá tem a surpresa de descobrir que sua missão é cuidar de um boneco de porcelana, que um velho casal trata como seu filho.


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Crtica Cineweb

16/02/2016

Para fugir de seu violento ex-namorado, uma norte-americana aceita um emprego de babá no interior da Inglaterra, em uma casa afastada – e, como é de se esperar, naturalmente escura em seu interior e exterior – que aparece nos primeiros minutos de projeção, deixando claro ao público a sequência de clichês que virá a seguir. É sob essa estrutura de chavões de um horror sobrenatural que Boneco do Mal, de William Brent Bell, constrói seu terror psicológico, tendo como diferenciais sua estranha premissa, certa criatividade em seu desfecho e Lauren Cohan correndo para escapar de outra coisa além de zumbis.
 
A atriz, conhecida por sua personagem Maggie Greene da série The Walking Dead, dá vida a Greta Evans, protagonista em fuga que encontra refúgio na velha mansão do Sr. e da Sra. Heelshire (Jim Norton e Diana Hardcastle), onde é contratada para cuidar de Brahms, o filho deles. Porém, ao lá chegar, a moça descobre que o menino é na verdade um boneco de porcelana que os pais, já em idade avançada, tratam como um prolongamento do próprio herdeiro, que, na realidade, foi dado como morto em um incêndio há 20 anos.
 
Apesar da peculiaridade do serviço, ela o aceita para a sua própria proteção. Mas, quando fica sozinha com Brahms – no máximo, recebe visitas do entregador da mercearia, Malcolm (Rupert Evans) –, fatos estranhos começam a acontecer. A relação entre a babá e o boneco se torna, ao mesmo tempo, mais próxima e conflituosa. A necessidade dela de ficar longe de Cole (Ben Robson) e traumas causados justamente pelo parceiro violento sustentam, bem fragilmente, a justificativa da personagem de permanecer ali – quem, além dos pais desesperados, em sã consciência se prestaria a este papel?
 
Contudo, se a trama em si é muito fraca, o roteiro do estreante Stacey Menear é bem-sucedido ao usar relacionamentos abusivos não só como pano de fundo na vida da protagonista mas como um contexto que ainda influencia suas ações e, principalmente, como subtexto de todo o filme. Encarnando sua primeira protagonista no cinema, após participar de várias séries de TV, Lauren Cohan cai no overacting, mas, a bem da verdade, não dispõe de material muito extenso para trabalhar em cima de sua personagem, a não ser esse background traumático.
 
Bell, que tem Filha do Mal (2012) entre seus filmes anteriores, não apela tanto para os sustos gratuitos quanto outros exemplares do gênero; quando os usa é com a intenção de frustrar a expectativa do espectador, o que faz de maneira inteligente a princípio, para acabar minando seu efeito pela repetição. Assim, por mais que o diretor crie certa tensão na ambientação da história com a ajuda da fotografia de Daniel Pearl, responsável pelo departamento nas versões de 1974 e 2003 de Massacre da Serra Elétrica, nos grandes close-ups e a trilha sonora de Bear McCreary, compositor de seriados como o próprio The Walking Dead, subvertendo canções de ninar, a atmosfera de medo não é satisfatória.
 
Por isso, é surpreendente a virada para o terceiro ato, que, igualmente, leva o longa a outro subgênero e retoma questões sociais que enriquecem a obra. A pergunta ao fim da sessão é se o interessante plot twist compensa o primeiro e o segundo atos arrastados, salvando o filme da mediocridade.

Nayara Reynaud


Trailer


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