Presságios de um crime

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Sinopse

O médico e médium John Clancy vive afastado de tudo depois da morte da filha. Um dia, é procurado por um agente do FBI, que quer sua ajuda para elucidar um complicado caso de assassinatos em série.


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Crtica Cineweb

22/02/2016

Apesar de se tratar de um filme em que a clarividência move, direta ou indiretamente, as ações dos personagens, o espectador que souber apenas o básico sobre a trama – em particular, quem evitou o trailer – e detalhes de produção do suspense Presságios de um Crime (2015) terá uma melhor fruição. É a maneira mais proveitosa de apreciar a estreia do brasileiro Afonso Poyart, realizador de 2 Coelhos (2012), em Hollywood sem já prenunciar a história de seu segundo longa, embora seja difícil não ocorrer certo déjà vu em alguns espectadores.
 
Continuando no seu terreno seguro do thriller, o jovem diretor investe na estrutura de um longa policial, especificamente os de serial killer, a fim de conduzir seu drama moral. Para desvendar um difícil caso de assassinatos em série, o agente do FBI Joe Merriweather (Jeffrey Dean Morgan) recorre ao Dr. John Clancy (Anthony Hopkins), seu amigo recluso após a morte da filha e que antes o ajudava como médico e médium. Mesmo com a descrença inicial de sua parceira, a psiquiatra Katherine Cowles (Abbie Cornish, que já trabalhara com um cineasta brasileiro, José Padilha, no RoboCop de 2014), ele convence seu antigo colega a participar da investigação, até o vidente perceber que o assassino em questão guarda muitas semelhanças consigo mesmo.
 
O roteiro de Ted Griffin (Onze Homens e um Segredo), e Sean Bailey, atual chefe de produção da Disney, circulou muito tempo em Hollywood. Inicialmente visto por produtores como uma possível continuação de Seven: Os Sete Crimes Capitais (1995), a ser chamada de Ei8ht, o projeto mediúnico foi rejeitado por David Fincher. Tempos depois, o texto recebeu um tratamento de Peter Morgan (A Rainha), e se transformou na atual trama, filmada em 2013. Problemas de distribuição levaram o longa a ser lançado na Europa só dois anos depois e apenas agora no Brasil – sendo que ainda nem estreou nos EUA.
 
O resultado da longa gestação da produção não se reflete tanto no script, como era de se esperar. A narrativa é que parece estar aquém de suas possibilidades, atingindo seu potencial somente no terceiro ato, com a entrada do personagem de Colin Farrell, que injeta novo fôlego. É este bom elenco que Afonso tem em mãos, já em sua primeira experiência internacional, que confere empatia aos personagens e credibilidade à história. Porém, ao mesmo tempo, o passado como Hannibal que Hopkins carrega e a lembrança de Farrell em filmes sci-fi inspirados nas obras de Philip K. Dick trazem a sensação de reminiscência no público, que pode também se recordar dos suspenses do próprio Fincher e até da série Medium (2005-2011), que unia o gênero policial ao tema.
 
O que Presságios... tenta imprimir como marca própria é seu visual, como não poderia deixar de ser em um trabalho de Poyart, além de seu dilema moral. A influência já declarada de Christopher Nolan é aparente e bem utilizada nas cenas em que as variáveis de tempo são traduzidas visualmente. O diretor está mais contido e evita os elementos de videogame e o abuso dos flares – reflexos da luz na lente da câmera – vistos em 2 Coelhos, mas mantém a estética de videoclipe, em flashes de imagens na edição rápida ou em slow motion.
 
Contudo, o virtuosismo imagético se sobrepõe, em alguns instantes, à narrativa que tem o seu pano de fundo na discussão sobre a eutanásia. Ainda assim, além da questão da culpa e da justiça, o filme consegue levantar o questionamento da validade de “brincar de ser Deus” para aplacar a dor alheia e ser o consolo e alívio que o título original, Solace, prenuncia.

Nayara Reynaud


Trailer


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