Zoom

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Sinopse

O enredo reúne três histórias: uma quadrinista insatisfeita com o próprio corpo, um cineasta com um problema sexual e outro de trabalho e uma modelo frustrada, que quer tornar-se escritora.


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Crítica Cineweb

22/03/2016

Metalinguagem elevada ao cubo. É assim, com três histórias de narrativas e estéticas muito diversas entre si, mas todas interligadas, que Pedro Morelli estrutura Zoom, praticamente seu debut em longas-metragens. O jovem chegou a codirigir Entre Nós (2013) com o pai, Paulo Morelli, que apenas produz este novo trabalho do filho.
 
Porém, é aqui que ele ganha voz própria enquanto realizador, ou, pelo menos, tenta. Ainda que seja uma resposta para aqueles que pedem mais inventividade e diversidade ao cinema nacional, esta coprodução Brasil-Canadá é, de fato, uma coleção divertida, mas irregular de retalhos de influências recicladas pela direção e ideias subutilizadas no roteiro. Misturando a narrativa já conhecida por Mais Estranho que a Ficção (2006) com o caos interdimensional da série Sense 8 (2015-), a ligação de cada trama com as outras fica mais clara com o passar do tempo, até que a interferência de um protagonista sobre o destino de outro vai aumentando sensivelmente e foge de controle. O looping infinito de influências é o seu diferencial, mas não é capaz de sustentar por si só o longa como um todo.
 
Exibido no ano passado no Festival de Toronto e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a produção começa apresentando a história de Emma (Alison Pill). Quadrinista insatisfeita com seu próprio corpo, particularmente seus seios, a designer trabalha modelando bonecas infláveis em uma pequena fábrica, onde mantém um relacionamento com o colega Bob (Tyler Labine). Com um estilo característico dos filmes indies norte-americanos, o segmento da atriz canadense é o que funciona melhor e cujo humor agrada mais, mesmo quando sua trama passa a perder todo sentido.
 
É a partir dele que se introduz a parte capitaneada por Gael García Bernal, totalmente de forma animada. O astro mexicano encarna o cineasta Edward, que deseja seguir novos rumos na carreira, empregando um caráter autoral ao seu novo trabalho. Ao mesmo tempo, enfrenta as pressões do estúdio à procura de mais um blockbuster, além de uma drástica redução peniana que abala sua confiança. A trama é pobre e até de gosto duvidoso, mas tais fatores são atenuados pela clara intenção de satirizar Hollywood e o machismo que subjuga os próprios homens e pelo ótimo visual obtido pela trabalhosa animação em rotoscopia, com influência declarada de Waking Life (2001) de Richard Linklater, e que remete à pop art de Roy Lichtenstein.
 
Paralelamente, o espectador conhece o drama de Michelle, uma modelo tentando ser romancista. Vivida por Mariana Ximenes, a moça é desacreditada pelo marido (Jason Priestley) e procura paz e inspiração literária ao voltar ao Brasil, em sua estadia na pousada de Alice (Claudia Ohana). A direção over de um filme de arte vazio, com sucessão de planos holandeses e até giros e inversões de câmeras numa fotografia solar diferenciada, empregada por Adrian Teijido no segmento, só é justificada narrativamente mais à frente. Mas a parca construção dos personagens e a falta de empatia gerada pelo rebuscamento intencional a enfraquecem.
 
O script do novato Matt Hansen dilui seu subtexto do culto ao corpo sem a sagacidade de Charlie Kaufman, em quem declaradamente se inspira, para ir além em suas próprias ideias e na crítica aos padrões de beleza. O roteiro, junto com a direção, não consegue fugir dos problemas típicos dessas tramas múltiplas, sendo que a mais prejudicada é justamente a protagonizada pela estrela brasileira, por conta de suas falhas intrínsecas.
 
Enquanto as estripulias visuais de Pedro Morelli podem afastar o público, por seu aparente despropósito, o deboche de seu trabalho tem seu atrativo, aproveitando-se não só do ridículo da história, mas da arte, do cinema, da sociedade ou da vida. A trilha sonora enérgica de Kid Koala ajuda neste último sentido, além de dar o tom dos momentos eróticos. Mas é com Oh! You Pretty Things de David Bowie no final que Zoom termina sua aproximação do espectador e manda sua mensagem: acorde!
 

Nayara Reynaud


Trailer


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