Maravilhoso Boccaccio

Ficha tcnica


Avaliao do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


Pas


Sinopse

Na Florença devastada pela peste negra do seculo 14, um grupo de jovens decide escapar da cidade, refugiando-se numa ampla casa no campo. Para passar o tempo, decidem contar cada dia um conto. Os temas passam pelo amor, a doença, a tragédia, o humor e a luxúria.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crtica Cineweb

02/05/2016

Não é a primeira vez e, provavelmente, não será a última em que o cinema italiano se volta a esta obra-prima de sua literatura nacional. Giovanni Boccaccio já foi revisitado nas telas, em uma visão moderna, por Vittorio De Sica, Federico Fellini, Mario Monicelli e Luchino Visconti em Boccaccio '70 (1962), enquanto seu primoroso Decamerão ganhou sua mais famosa versão com Pier Paolo Pasolini, inspirando-se no espírito subversivo do livro, no homônimo filme de 1971. Agora, são os irmãos Paolo e Vittorio Taviani que adaptam a grande coleção de novelas do autor, preferindo a homenagem à obra e ao seu tempo, em uma ode ao amor e à arte.
 
Em seu Maravilhoso Boccaccio (2015), os cineastas escolheram cinco das 100 histórias do conjunto, sendo fiéis à figura dos narradores originais do texto: dez jovens, mulheres, em sua maioria, junto com os namorados de algumas delas, que saíram da Florença de 1348, devastada pela peste negra, para fugir da doença e do clima de terror instaurado na cidade. Isolados no interior, eles combinam que cada um se encarregará de contar um conto por dia, a fim de se entreterem com casos de amor, luxúria e malandragem durante a terrível quarentena.
 
O primeiro deles é sobre Catalina (Vittoria Puccini), que, ao sofrer da peste, é afastada do marido (Flavio Parenti) e acaba falecendo. Ainda assim, é objeto de uma busca redentora do apaixonado Gentile Carisendi (Riccardo Scamarcio). Na sequência, o ingênuo Calandrino (Kim Rossi Stuart) vira alvo de zombaria de dois jovens, junto com toda a vila, que o fazem acreditar que uma pedra específica é capaz de torná-lo invisível – porém, a história de humor acaba tendo uma virada inesperada, especialmente no tom. A terceira trama traz a jovem e recém-viúva Ghismunda (Kasia Smutniak), sendo alvo da exagerada proteção do pai (Lello Arena) quando se apaixona pelo pobre ferreiro da região, Guiscardo (Michele Riondino).
 
A mais engraçada delas mostra uma abadia onde o flagra das freiras ao surpreenderem a Irmã Isabetta (Carolina Crescentini) na cama com um homem coloca em xeque os segredos da própria Abadessa Usimbalda (Paola Cortellesi). Fechando com um toque triste, mas com uma moral muito bela, vem a agridoce trajetória de Federico degli Alberighi (Josafat Vagni) e seu inseparável falcão, colocado à prova ao reencontrar a viúva Giovanna (Jasmine Trinca), seu antigo amor, agora com um filho doente ao lado.
 
Os irmãos octogenários, de obras como Pai Patrão (1977), repetem a inspiração nos clássicos vista no último trabalho deles, o ótimo docudrama vencedor do Urso de Ouro em Berlim, César Deve Morrer (2012). Explorando bem a metalinguagem, a dupla usou, na ocasião, prisioneiros reais para darem vida ao grupo de detentos que realiza uma montagem de Júlio César, emblemática peça de Shakespeare, em uma prisão de segurança máxima italiana, cujos ensaios são o centro do longa, filmado em preto e branco.
 
Se o limite da situação servia lá para mostrar como homens capazes de atos horríveis também são hábeis utilizadores da beleza da arte, aqui é retomado de outra maneira: na proximidade do fim – não só da morte em si – despertando o que há de melhor e pior no ser humano, além da exaltação dos esforços artísticos como forma de perpetuação. O problema em Maravilhoso Boccaccio é que a ligação com a atualidade perde sua clareza para o público, com a personificação extremamente dramática dos narradores como um grupo uniforme encenando o horror da peste, o que esvazia o poder de identificação com o espectador.
 
Os Taviani adotam um visual renascentista nesta fotografia, novamente assinada por Simone Zampagni, com a câmera fixa e a luz adentrando seus enquadramentos para torná-los semelhantes às telas de Rafael e tantos outros expoentes pintores do Renascentismo. Apesar da beleza e das cores dos quadros cinematográficos deles, a escolha dos diretores retira a “sujeira” da agilidade, ironia e sensualidade presentes no texto original, tornando Maravilhoso Boccaccio uma bela homenagem, mas não uma releitura com o mesmo vigor e crítica da obra em que se inspira, que Pasolini captou de modo tão marcante em Decameron

Nayara Reynaud


Trailer


Deixe seu comentrio:

Imagem de segurana