Amores Urbanos

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Sinopse

Um trio de amigos, que moram no mesmo prédio, se encontram para partilhar seus anseios e dúvidas sobre a carreira, a vida e os amores.


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Crítica Cineweb

11/05/2016

Se em algum momento durante a projeção de Amores Urbanos, alguém da plateia ainda tiver dúvidas se o primeiro longa de Vera Egito capta as dúvidas e aflições de uma geração que cresceu junto com a MTV, logo a breve participação de Sarah Oliveira deixa claro qual é a faixa etária de seus realizadores e o público-alvo da produção.
 
Após trabalhos na publicidade, videoclipes, dois curtas e um programa de TV, justamente o Viva Voz (2010-2013), apresentado pela ex-VJ no GNT, a diretora de 32 anos pretendia estrear em longas com seu próximo e ambicioso projeto Rua Maria Antônia: A Incrível Batalha dos Estudantes, sobre o histórico confronto entre universitários do Mackenzie e da USP durante a ditadura militar. Contudo, as dificuldades de captação levaram-na a partir primeiro para suas próprias vivências e de seus amigos e, após poucos meses de desenvolvimento de roteiro e três semanas de filmagem, usá-las em um début mais pessoal.
 
O filme centra-se nestes três amigos, que não dividem só o mesmo prédio ou apartamento, mas as mesmas dúvidas amorosas e existenciais em uma cidade – no caso, São Paulo, mas poderia ser qualquer metrópole do mundo – pouco fértil para o estreitamento das relações. Tudo começa quando Julia (Maria Laura Nogueira) descobre que o cara que namorou por dois anos tinha uma noiva no interior. A desilusão é só o estopim da crise dos 30. A agora assistente de moda sofre por ainda não ter certeza de sua carreira profissional, após tantas mudanças de rumo, e continuar sendo sustentada pelos pais.
 
Por isso, ela vai buscar consolo e conselhos na porta vizinha, com o DJ Diego (o cantor Thiago Pethit) e Mica (Renata Gaspar), que também têm seus próprios problemas. Ele teme entrar em um relacionamento monogâmico e voltar ao contato familiar após ter sido expulso de casa por ser homossexual, enquanto ela espera que sua parceira Duda (a cantora Ana Cañas) a assuma publicamente como namorada.
 
A presença dos músicos em frente às câmeras é fruto dos videoclipes que Egito dirigiu para eles. A trilha sonora é bem diegética, sendo originária do ambiente narrativo, e obviamente conta com um single de Pethit – Romeo, cujo clipe é estrelado por Maria Laura e Lucas Brilhante, que vive aqui o cobiçado DJ Pablo – e uma canja em cena de Cañas, além de músicas indie, como uma do Copacabana Club, banda cuja vocalista Camila Cornelsen assina a direção de fotografia desta produção. Além de toda esta experiência no cenário musical, Vera ainda tem no currículo a seleção na Semana da Crítica de Cannes de seus dois curtas, a homenagem à mãe Elo (2009) e seu trabalho de conclusão de curso Espalhada Pelo Ar (2007), e a parceria como roteirista e assistente de direção com o cineasta Heitor Dhalia, seu marido.
 
Por isso, é de se espantar a qualidade técnica abaixo do esperado e certo engessamento nos enquadramentos logo nas primeiras cenas, felizmente, dissipados no decorrer do longa, que demonstra melhor a concepção da jovem diretora em optar pelos planos mais longos a fim de criar algo mais cru e espontâneo. A atuação de alguns coadjuvantes corrobora para essa impressão amadora inicial. Porém, tão logo a dinâmica de amizade dos protagonistas ganha a tela, o trio principal de atores, todos em seu primeiro longa, eleva o patamar e cativa a plateia. Destaque para Gaspar, que fez a série Descolados (2009) da MTV e atua no Tá no Ar e no Chapa Quente, no tormento de sua personagem em busca de aprovação alheia e da namorada de sua própria imagem se destaca.
 
Contudo, é através da sinceridade empregada pelos três que a empatia e identificação é gerada até no espectador bem longe do isolado mundinho hipster apresentado aqui. Muitos dos tipos que compõem a narrativa orbitam a área artística, no teatro, música, moda e gastronomia, e refletem uma geração que goza de uma liberdade de escolha muita maior do que as anteriores no aspecto profissional e em outras questões. No entanto, o pensamento livre cultivado nestes filhos da MTV, agora balzaquianos, contrasta com sua falta de maturidade emocional. Neste sentido, Amores Urbanos mostra-se uma obra em total sintonia com seu público.

Nayara Reynaud


Trailer


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