Certo agora, errado antes

Ficha técnica

  • Nome: Certo agora, errado antes
  • Nome Original: Jigeumeun Matgo Geuttaeneun Teullida
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Coréia do Sul
  • Ano de produção: 2015
  • Gênero: Comédia, Drama
  • Duração: 121 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Hong Sang-soo
  • Elenco: Minhee Kim, Jaeyoung Jung

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Sinopse

O sul-coreano Hong Sang-Soo apresenta, e logo depois reprisa, o dia em que um diretor de cinema se apaixona por uma tímida artista plástica, mas as palavras, ditas ou não ditas, levam a diferentes trajetórias semelhantes.


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Crítica Cineweb

11/05/2016

“E se...”. Esses questionamentos sobre as possibilidades que são oferecidas no decorrer do caminho de alguém sempre suscitaram o interesse de Hong Sang-Soo. Longe do malabarismo das grandes transformações no passado e seu efeito borboleta tão explorado em Hollywood, o cineasta sul-coreano retorna ao tema com um olhar especial para as pequenas escolhas que determinam ou alteram o rumo de uma vida, ao mesmo tempo em que faz de Certo Agora, Errado Antes (2015) uma ode ao cinema como instrumento de expiação.
 
Primeiro, porque a obra serve tanto como autocrítica e paródia do próprio diretor, criticado por se repetir continuamente em seus filmes. Está aqui o protagonista de passagem em alguma pequena cidade, além da presença de um cineasta ou qualquer pessoa ligada à sétima arte – daí a comparação corrente ao tom autobiográfico de Woody Allen. São vistas as cenas do cotidiano de pessoas simples – de onde vem o paralelo constante com o francês Éric Rohmer –, geralmente em conversas nas mesas de cafés e restaurantes, regadas a muita bebida e comida, e onde a estranheza do flerte confere o charme de histórias de amores impossibilitados.
 
Entretanto, ao voltar a trabalhar com a variação de caminhos narrativos, como em A Visitante Francesa (2012), Hong torna a repetição de suas assinaturas cinematográficas em ferramenta para seu misto de truque e estudo de caso ao público, que é apresentado ao diretor da vez. Renomado no circuito de filmes de arte, Ham Chunsu (Jaeyoung Jung, que já trabalhou com ele em Nossa Sunhi, de 2013) está em Suwon para apresentar seu último longa em um festival e participar de um bate-papo com a plateia. Mas, na véspera da exibição, ele avista a bela e tímida pintora Yoon Heejung (Minhee Kim, de Assassino Profissional, de 2014), com quem vai travar conversa, seguindo-a durante todo um dia.
 
Se os créditos iniciais podem causar confusão, trazendo o título invertido “Certo Antes, Errado Agora”, logo que se alcança uma hora de duração, uma nova inserção traz o nome correto, reiniciando o mesmo dia. Repetem-se os cenários, mas os diálogos e situações lá ocorridos vão se diferenciando aos poucos, assim como a utilização do voice over, inexistente na segunda metade e, principalmente, as leves alterações de enquadramentos – o cineasta continua com seus longos planos e o uso do zoom para evitar a dinâmica do campo/contracampo, mas este não é tão recorrente como antes e nem sempre é executado de forma tão fluída.
 
Porém, da mesma maneira que brinca com a memória recente do espectador, numa simples troca de cores de tinta, o sul-coreano a aproveita para evitar a simples cópia e ressaltar as nuances entre a polidez e a sinceridade do protagonista nas duas vivências, por exemplo. Esta segunda parte, filmada só depois que a primeira havia sido editada, faz-se sentir como uma reimaginação de Ham para aqueles momentos inesquecíveis, que tinham tudo para serem bem-sucedidos. Contudo, esta é apenas uma das possíveis interpretações geradas pelo filme que ganhou os troféus de Melhor Direção e Ator no Festival de Locarno do ano passado.
 
Com seu tom cômico habitual mais abrandado que em Hahaha (2010), premiado na seção Un Certain Regard de Cannes, o diretor emprega uma interessante visão sobre a incomunicabilidade nas relações humanas, mesmo quando muito parece ser dito. Por isso, quando perto do limite entre esses dois médias que formam o longa Certo Agora, Errado Antes, o cineasta fictício aconselha uma admiradora de seu trabalho a viver tentando descobrir algo novo a cada segundo, os olhos e ouvidos do público são convidados a prestar atenção em cada mudança que vem a seguir e refletir sobre a eficiência delas. No final, pela importância aos detalhes, Hong relembra o papel de autor de cada um, seja na arte ou na própria vida.

Nayara Reynaud


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