Funcionário do mês

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Sinopse

Checco é um funcionário público que não quer outra vida. Mas sobre ao governo um ministro obcecado em cortar gastos reduzindo o quadro de funcionários estatais. A chefe de Checco transfere-o o tempo todo e lhe dá missões complicadas para que ele desista do posto. Mas ele se aferra ao emprego.


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Crtica Cineweb

10/08/2016

Os italianos gostam de rir de si mesmos. É o que se pode pensar do recorde alcançado por Funcionário do Mês, longa estrelado e escrito pelo comediante de grande fama na Itália, Checco Zalone. Quarta parceria do ator oriundo da televisão com o diretor Gennaro Nunziante – as três anteriores não foram lançadas no Brasil –, a produção sagrou-se como a maior bilheteria do país, com US$ 71 milhões acumulados, mesmo fazendo uma sátira explícita a certos costumes, preconceitos, além da burocracia e corrupção arraigados na sociedade italiana, que ecoam o “jeitinho brasileiro”.
 
As ironias já começam no rápido prólogo, que mostra como o protagonista, que tem o mesmo nome do comediante, já alimentava desde a infância o sonho de ser funcionário público, assim como seu pai (Maurizio Micheli). Aos 38 anos, com o desejo realizado ao trabalhar em uma pacata Secretaria Regional de Caça e Pesca e ainda morando com seus pais – este não é o problema, e sim a exploração que faz da sua mãe (Ludovica Modugno) –, ele tem sua vida boa chacoalhada pela posse de um novo ministro (Antonino Bruschetta), que realiza uma reforma na administração pública, cortando cargos para reduzir os gastos.
 
Com seu posto fisso em risco, Checco aceita os mais variados trabalhos em diversos lugares, de entediantes a perigosos, designados pela implacável dra. Sironi (Sonia Bergamasco), que tem nele o único entrave para completar a lista de demissões ministeriais, pois ele se recusa a perder a estabilidade e os outros benefícios do funcionalismo público. Como último recurso, ela o envia a uma base de pesquisa no Polo Norte, onde o italiano conhece a dra. Valeria (Eleonora Giovanardi). A partir daí, o filme começa a desenhar-se como comédia romântica.
O sarcasmo ainda comparece na apresentação da Noruega e seu mundo civilizado, em uma clara comparação com a Itália, cujo retrato sociocultural revela a atual situação do país, com problemas de desemprego, escândalos políticos de corrupção e a grande entrada de refugiados – ousa-se até uma piada direta com Lampedusa. Além disso, aborda-se certo sexismo e racismo de uma população italiana com dificuldades de mudar e lidar com ideias liberais em um momento de crise do status quo.
 
Este viés crítico é a principal qualidade do roteiro episódico de Zalone e Nunziante, que muitas vezes se assemelha a uma junção de esquetes que, talvez pelas grandes mudanças espaciais e profissionais do protagonista, não consiga manter a fluidez da narrativa em um ritmo constante, fazendo uso repetido da narração para este fim. Pesam também em cenas pontuais algumas piadas internas que atrapalham o entendimento do público brasileiro – e há de se perguntar se alguns estereótipos regionais não são ofensivos à plateia italiana. A qualidade técnica é regular, porém melhor do que aparentam os pobres grafismos dos créditos iniciais, embora o CG fique bem evidente em algumas sequências.
 
Nada, no entanto, que tire a efetividade cômica de Funcionário do Mês, que reforça não só a importância do gênero dentro do cinema italiano, mas demonstra como uma comédia popular pode equilibrar bem a crítica e o humor.

Nayara Reynaud


Trailer


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