Águas rasas

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Sinopse

Abalada com a morte da mãe, estudante de medicina deixa a faculdade. Num esforço de superação, vai visitar uma praia isolada no México de que sua mãe gostava muito. Ali sozinha, vai ter que lutar por sua sobrevivência depois do ataque de um tubarão.


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Crtica Cineweb

17/08/2016

A televisão norte-americana vai reviver o clássico personagem dos anos 80, MacGyver, na próxima temporada de estreias nos Estados Unidos. Mas Blake Lively bem que poderia reivindicar este título e pegar o papel para si pelo que demonstra em Águas Rasas, na pele da estudante de medicina, Nancy Adams. Sozinha na tela em praticamente todo o longa de Jaume Collet-Serra, ela não apenas luta contra um implacável tubarão no alto de um pequeno recife, onde se refugia, como também mostra que brincos, um pingente de colar e roupas de neoprene podem fazer parte de seu kit de primeiros socorros. Da mesma forma, uma pistola sinalizadora é capaz de solucionar emergências de vários maneiras.
 
Por mais que o clássico Tubarão (1975), de Steven Spielberg, venha à memória sempre que o animal está em cena, a trama desta texana em uma praia deserta no México (na verdade, da Austrália, onde ocorreram as filmagens) se parece mais com a do casal de mergulhadores do verídico Mar Aberto (2003). O diferencial, além dos momentos de tensão acontecerem na costa e não em alto-mar, está justamente no drama sobre o duro processo de luto escondido na estrutura de um filme de terror.
 
Após a ressaca fazer sua colega deixá-la na mão, Nancy resolve ir sozinha ao lugar tão secreto, só conhecido pelos locais, onde sua mãe esteve em 1991, quando estava grávida dela. Para a moça, conhecer aquela praia é um modo de reencontrar a mãe depois de sua morte, que ainda não foi superada por ela. A moça chegou a trancar a faculdade por questionar se poderia encarar aquele sofrimento outras vezes. Só não esperava cruzar com um tubarão que iria morder a sua perna e transformar o final de seu dia de surfe em horas de suplício, ficando ferida e ilhada no arrecife.
 
As convenções do roteiro de Anthony Jaswinski, do horror Mistério da Rua 7, ficam aparentes no modo como as soluções encontradas pela protagonista estão encaixadinhas no decorrer da trama. Ainda assim, não chegam a atrapalhar a narrativa, assim como a rasa construção da personagem, sustentada pelos rápidos diálogos expositivos da irmã e do pai, cujo videochat aparece na tela através de grafismo, tal como as fotos e mensagens do celular. Até a escolha fácil por Nancy falar com ela mesma e a gaivota machucada que a acompanha naquela pedra, longe do minimalismo silencioso de Até o Fim  e próxima da dinâmica de Náufrago com a bola Wilson, funciona como recurso para a superação mental daquele sofrimento.
 
A direção de Collet-Serra, do terror A Orfã e várias parcerias com Liam Neeson, em Desconhecido, Sem Escalas e Noite Sem Fim, oscila entre close-ups, giros e imagens aéreas, em alta velocidade ou slow motion, com ritmo para entreter o espectador. Bastam duas cenas, porém, para o catalão perder a mão com um visual forçado na aura fantástica das águas-vivas e em um momento crucial com o tal tubarão cair no estilo desenho animado. Neste ponto, até o animal criado através de computação gráfica se apresenta de forma mais artificial, distante dos animatronics de Spielberg.
 
Contudo, há êxitos técnicos também, a exemplo do instigante trabalho de desenho de som, em particular na sequência que acompanha a perspectiva da protagonista entrando e saindo da água. Igualmente, a escolha pela música da cantora Sia – sempre emplacando uma canção nos créditos finais de filmes, como Procurando Dory e Terremoto – se encaixa no drama de Nancy e até na simbologia da gaivota como representação de sua mãe a protegê-la, em uma leitura do filme como analogia das dificuldades de superar o luto, tal qual a astronauta que perdeu a filha e se encontra perdida no espaço em Gravidade. No entanto, esse processo de amadurecimento da personagem, a enfrentar seus medos para tomar um rumo na vida, é enxergado pelo público por causa da entrega de Blake Lively e sua capacidade hipnotizante de cativar a plateia e fazê-la “lutar junto” com a jovem.
 
 
 

Nayara Reynaud


Trailer


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