Meu amigo, o dragão

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Sinopse

Órfão depois de um acidente, o menino Pete é protegido por um misterioso animal numa floresta. Passa ali vários anos, até ser descoberto por outras pessoas e levado para a cidade. Lá, todos descobrem que as conversas sobre um famoso dragão são mais do que uma lenda.


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Crtica Cineweb

20/09/2016

Na onda de remakes em live-action  da Disney, Meu Amigo, o Dragão talvez seja o que sofra menos pressão externa. Primeiro, porque o filme quase quarentão não é um clássico intocável do estúdio, como Mogli ou Cinderella, e, na realidade, é desconhecido das novas gerações. Segundo, que o longa de Don Chaffey, escrito por Malcolm Marmorstein, já era um híbrido de animação com atores reais: o então pequeno Sean Marshall, a cantora Helen Reddy e o marcante Mickey Rooney.
 
Contudo, o cineasta David Lowery, vindo da cena independente após o aclamado Amor Fora da Lei (2013), faz mais do que atualizar detalhes técnicos da história. Levando a sério o sentido de “remake”, o diretor transforma o ingênuo musical Meu Amigo o Dragão (1977), de estética e narrativa típicas de cartoon, em uma fábula estruturada dentro de um conto mais realista para o século XXI. Ou melhor, uma fantasia para tempos mais cínicos, onde só a magia dos super-heróis parece conquistar a geração atual, mas que prefere se dedicar às relações humanas e à dinâmica de amizade spielbergiana entre Pete (Oakes Fegley) e seu raro amigo animal do que demonstrações de pirotecnias visuais.
 
Ao contrário, elas são usadas a favor da narrativa, como na sequência inicial do acidente em que o menino, então com 4 anos (na pele do expressivo Levi Alexander), fica órfão: o slow motion só acentua o caráter de aventura que os pais prometem a ele, embora a tragédia fique evidente no lirismo do recurso. Perdido na floresta, o garoto é logo protegido por um dragão, ao qual chama de Elliot, crescendo junto com ele naquele habitat não mais hostil.
 
Já aos 10 anos de idade, a interferência humana naquele ambiente intocado leva Pete a ser descoberto pela guarda florestal Grace (Bryce Dallas Howard, que faz mais do que ser uma donzela em perigo correndo de salto alto, como em Jurassic World) e levado para a pequena Millhaven, cidade fictícia no Oregon – embora filmada na Nova Zelândia. Só que o seu amigo, antes só conhecido pelas lendas locais, difundidas pelo pai dela, Meacham (Robert Redford preenchendo a cena nos poucos momentos de seu personagem em tela), não demora muito a chamar a atenção da população da região.
 
O salto de qualidade da animação é visível do simpático e caricato Elliot em 2D de 1977 – mas muito inovador para a época em sua integração com o live-action – para o dragão de pelúcia, com visual realista em 3D de agora, feito para seduzir a plateia com seu aspecto de bicho de estimação. O detalhismo nos efeitos especiais produzidos pela neozelandesa WETA para a criação do animal, porém, não é mantido na finalização de outros elementos apresentados na conturbada sequência do clímax do longa.
 
A construção de Pete enquanto personagem também se mostra falha, não por culpa do carismático Oakes Fegley, de Sete Dias Sem Fim (2014), que forma uma boa dupla mirim com a talentosa Oona Laurence, de Nocaute (2015). O roteiro que o cineasta escreveu com o seu parceiro de outros trabalhos, Toby Halbrooks, peca por desenvolvê-lo através dos diálogos, como qualquer criança que tenha crescido em sociedade e não com o vocabulário de uma que vive na floresta. Por último, há um vilão simplificado na pele de Gavin (Karl Urban), irmão do correto Jack (Wes Bentley), mas que serve para introduzir um subtexto ecológico, pois a floresta onde o protagonista e seu amigo vivem sofre a ameaça dos interesses da madeireira da cidade.
 
Sem a estrutura de musical, nenhuma das canções originais escritas em 1977 – entre elas, a mais conhecida é It’s Not Easy, por causa da versão do Balão Mágico, É Tão Lindo – por Al Kasha, Joel Hirschhorn e Irwin Kostal, indicados ao Oscar pelo trabalho, permanece na produção de 2016. No entanto, a opção pelo folk na trilha sonora do novo filme, com direito a Leonard Cohen, The Lumineers e música folclórica, integra-se bem ao novo cenário, já que sai a cidade litorânea de uma Nova Inglaterra de época e entra um vilarejo que parece cravado no nordeste norte-americano.
 
Da mesma maneira, é abandonada a subtrama sobre os abusos na família adotiva que o anterior trazia, mas a alma do original é mantida. A importância da amizade, o dito impossível desafiando a descrença e, principalmente, as dificuldades de aceitar o que é estranho e, portanto, a necessidade de entender a importância das diferenças continuam guiando a história de Meu Amigo, o Dragão, que honra a classificação de filme-família.

Nayara Reynaud


Trailer


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