O contador

Ficha técnica


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Sinopse

Diagnosticado como autista na infância, Christian Wolff foi treinado pelo pai para sobreviver socialmente num mundo intolerantes. Ele se torna contador e presta serviço para todo tipo de clientes, inclusive mafiosos. Mas ele mesmo é tudo, menos indefeso.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

09/10/2016

Não serão poucos os que sairão da sessão de O Contador com a impressão de que Christian Wolff, ou seja lá qual for o verdadeiro nome do inusitado protagonista do filme de Gavin O’Connor, é mais durão e eficiente do que o próprio Batman do Ben Affleck – ainda que ele tenha construído um Bruce Wayne interessante em sua primeira aparição.
 
Neste novo trabalho, o ator tem em mãos um papel ideal para usar o seu minimalismo em favor de um personagem com dificuldades de interação social. Diagnosticado com autismo – ao que tudo indica, de alta funcionalidade, como a Síndrome de Asperger – já na infância, Wolff (vivido por Seth Lee quando jovem) recebeu treinamento psicológico e físico do seu pai (Robert C. Treveiler), que era do Exército, para adquirir o mínimo de sociabilidade e sobreviver numa sociedade que não sabe lidar com o diferente. O modo que encontrou para isso foi colocar suas habilidades matemáticas em prática através da contabilidade: o detalhe é que ele presta serviço a máfias, cartéis e quadrilhas que precisam de alguém de confiança para checar as contas, além de saber se defender muito bem de qualquer ameaça, com armas ou as próprias mãos.
 
Precisando pegar um cliente dentro da legalidade, o contador aceita desvendar o rombo de milhões de dólares na empresa de próteses e robótica do sr. Black (John Lithgow), Living Robotics, detectado por Dana Cummings (Anna Kendrick), forçadamente, sua nova colega de trabalho. Contudo, por mais que Christian seja a espinha dorsal da estrutura deste thriller, o roteiro de Bill Dubuque se caracteriza pela narrativa de encaixe, com tramas paralelas no passado e no presente, revelando um pedaço aqui e ali de cada uma. Além dos flashbacks, acompanha-se uma investigação do Tesouro Nacional, liderada por Ray King (J.K. Simmons) e sua pupila, a agente Medina (Cynthia Addai-Robinson), e a caçada de um assassino profissional (Jon Bernthal).
 
“Você gosta de quebra-cabeças?”, pergunta-se em certo diálogo, como se o roteirista de O Juiz (2014) fizesse uma alusão ao seu próprio script, que não tem pressa para contar sua história. Por mais que Dubuque force encaixar algumas peças na profusão de interligações das tramas, faz um plot twist eficiente no clímax, não pelo fator surpresa, e sim pela construção dos personagens; especialmente o principal, que, pelo seu caráter, instiga o público a desvelar suas camadas. Isso porque o protagonista de Affleck é muito complexo, não pelo seu diagnóstico, mas pela maneira como o Transtorno do Espectro Autista influenciou a sua ambivalência moral, característica de qualquer anti-herói neurotípico – os ditos “normais”.
 
Ainda que peque por alguns excessos e repetições, mais visíveis em escolhas de montagem, cuja cena final é um exemplo simples, Gavin O’Connor faz uma direção segura, com uma atmosfera setentista e de mistério. E, de quebra, retoma um tema que lhe é muito caro: como as relações familiares se dão em meio à violência. Isso é claro nos irmãos lutadores de MMA de Guerreiro (2011), competente trabalho que o pôs em destaque em Hollywood, e, antes, no parentesco colocado em cheque em Força Policial (2008), mas também de forma psicológica em Livre Para Amar (1999). Para O Contador, foi na família que ele aprendeu a reagir à violência social de sua condição, pagando na mesma moeda.

Nayara Reynaud


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