O apartamento

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Emad e Rana são um casal de atores ainda sem filhos. Quando o prédio onde moram sofre abalo e uma série de rachaduras, eles são obrigados a mudar-se temporariamente. No novo prédio, numa noite em que Rana esperava Emad, ela sofre uma agressão.


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Crítica Cineweb

02/01/2017

Como em A Separação (11) e O Passado (13), o cineasta iraniano Asghar Farhadi cria novamente um emaranhado emocional complexo na trama de O Apartamento, vencedor dos prêmios de melhor roteiro e melhor ator (Shahab Hossein) no Festival de Cannes 2016 e do Oscar de filme estrangeiro em 2017, prêmio já vencido em 2012 por Farhadi com A Separação.
 
A princípio, retrata-se os dilemas de moradia de um casal de atores, Emad (Shahab Hossein) e Rana (Taraneh Alidoosti), em Teerã. O prédio onde viviam sofreu rachaduras e é interditado. Passo seguinte, eles encontram refúgio num apartamento encontrado por um amigo. E é ali, numa noite em que esperava pelo marido, que Rana sofre a agressão de um invasor.
 
A falta de clareza na sugestão de que Rana foi vítima de um estupro parece dever-se a uma tentativa de driblar a vigilante censura iraniana, que é denunciada explicitamente numa outra sequência - a da montagem da peça em que trabalha o casal de atores, uma adaptação de A morte de um caixeiro viajante, do autor norte-americano Arthur Miller. Na cena em questão, torna-se evidente que uma personagem, Miss Francis, estaria nua, ou quase isso, mas ela é vista em cena usando um casaco impermeável (o que é motivo de uma brincadeira posterior nos bastidores entre os integrantes do elenco).
 
A agressão muda completamente a vida do casal, com Rana tornando-se atemorizada e insegura, e Emad, cada vez mais tenso. O foco desloca-se dela, na primeira parte, para ele, crescentemente obcecado por identificar o agressor e partindo para reações inusitadas para o seu temperamento habitualmente tranquilo.
 
Como sempre nas histórias de Farhadi, há um eixo moral, ético, que se desloca, ampliando-se numa discussão sobre os limites da vingança. O ponto forte da produção é este roteiro bastante matizado e envolvente, que dá margem para muitas reflexões, especialmente sobre o atavismo de alguns aspectos das relações humanas.  

Neusa Barbosa


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