Lion - Uma jornada para casa

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Locais de filmagem


Sinopse

Saroo é um menino indiano que se perde do irmão numa viagem, e não consegue pronunciar o nome de sua pequena cidade. Colocado num orfanato, ele é adotado por um casal de australianos. Anos depois, graças à tecnologia do Google Earth, ele começa uma jornada em busca de sua mãe biológica.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

01/02/2017

Uma boa dose de fofura pós-colonial combinada com outra da pós-modernidade espacial do Google Earth dá o tom ao oscarizável Lion: Uma jornada para casa, drama do australiano Garth Davis, baseado (como não?) numa história real de superação e vitória pessoal do indiano Saroo Brierley, interpretado por Sunny Pawar, quando criança, e Dev Patel (indicado ao Oscar de coadjuvante e premiado com o Bafta), quando adulto.
 
Numa terra de miséria, cor e exotismo (pois assim sempre é a visão da Índia, no cinema não-indiano), o pequeno Saroo e seu irmão Guddu (Abhishek Bharate) vivem numa região rural do país, onde tentam de todas as formas ajudar a mãe (Priyanka Bose) com pequenos expedientes. Até o dia em que os dois estão numa cidade grande em busca de dinheiro, e o protagonista pega no sono num trem que é recolhido até Calcutá.
 
Quilômetros e quilômetros longe de casa, o menino de 5 anos é incapaz de falar corretamente o nome de sua cidade quando, finalmente, é levado às autoridades. Colocado num orfanato, só sairá de lá quando adotado por um casal de australianos que o levarão para Tasmânia. Eles são John e Sue Brierley (interpretados por David Wenham e Nicole Kidman, indicada ao Oscar de coadjuvante). E Saroo, com todos seus traumas e medos, parece ser a escolha ideal.
 
O filme dá um salto e encontramos Saroo adulto e feliz com a nova família, em Melbourne, mas sem nunca se livrar da culpa do sofrimento que sua mãe biológica deve ter passado. Além disso, sofre pela indefinição de sua identidade deslocada. Isso fica ainda mais claro no curso de hotelaria, onde encontra pessoas do mundo todo e se apaixona por uma americana (Rooney Mara).
 
A partir desse momento, o filme roteirizado por Luke Davis, baseado num livro do próprio Saroo, torna-se uma propaganda escancarada do Google com suas ferramentas de localização e visualização espacial. É por meio delas que o protagonista calcula distâncias, mas nem é preciso recorrer ao Google para saber onde o filme irá chegar: ou seja, imagens das pessoas reais antes dos créditos finais.
 
Seguindo a jornada apenas do ponto de vista de Saroo, o longa abre mão de uma construção com mais nuances. Como a mãe do garoto, mesmo sem qualquer tecnologia, passou anos procurando pelo filho? O próprio protagonista, com o salto do roteiro, parece que nunca havia pensado em sua mãe até o momento em que a internet permitiu que a procurasse.
 
A tal “incrível história” de Saroo, que potencializa as lágrimas até dizer chega, renderia, quando muito, uma reportagem de menos de cinco minutos num telejornal. Por isso, esticá-la à marca de infindáveis duas horas é um exagero que nunca se justifica. Há pontas mal resolvidas, como a passagem da infância para a vida adulta, de órfão dickensiano na Índia a rico e atormentado, e o irmão adotivo (Divian Ladwa) viciado em drogas, cujos acessos de raiva nunca se justificam direito. Tudo, no entanto, está na medida para indicações ao Oscar –o longa concorre em seis categorias, sendo, além da dupla de atores, filme, roteiro adaptado, fotografia e trilha. 

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 16/02/2017 - 12h01 - Por miguel Cara, vendo suas criticas de outros filmes, percebi que você não gosta de quase nada. Se você não gosta, faça uma critica mais profissional, não coloque o seu gosto pessoal. O filme tem uma belissima fotografia, um filme que fala sobre familia, enfim, péssima critica a sua.
  • 16/02/2017 - 15h16 - Por Ian Almeida Descordo em muito a parte da "Propaganda escancarada do Google Earth". O filme é baseado em fatos reais, e de fato foi usada durante o longa metragem e durante a volta para casa do Saroo, contudo o que mais chama a atenção é a trajetória dele para reencontrar a família. Confesso que se fosse utilizado outro programa eu nem perceberia, visto que o sentimentalismo vivido pelo personagem envolve o espectador. Rotular o filme como uma "propaganda escancarada do Google earth" é um comentário extremamente tedencioso, fazendo com que as que pessoas assistam o filme esperem todo tipo de menção ao Google quando na verdade é o enredo que atrai.
  • 19/02/2017 - 00h28 - Por Rafael Realmente o critico não assistiu ao filme... "Numa terra de miséria, cor e exotismo (pois assim sempre é a visão da Índia, no cinema não-indiano)", em nenhum momento do filme vemos essa India de cor e exotismo, e sim uma India real, e como realmente é;"...torna-se uma propaganda escancarada do Google com suas ferramentas de localização e visualização espacial. É por meio delas que o protagonista calcula distâncias, mas nem é preciso recorrer ao Google para saber onde o filme irá chegar: ou seja, imagens das pessoas reais antes dos créditos finais." O google earth no caso do filme, é somente citada como uma ferramenta , poderia ser qualquer programa de computador, não consegui ver em nenhum momento essa tal de "propaganda escancarada do Google ", e claro, por se tratar de um filme baseado em fatos reais, nada mais justo do que colocar o verdadeiro Saroo. Enfim, é um filme muito bom, vale a pena assisti-lo.
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