A grande muralha

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

William e Tovar são dois mercenários europeus que chegam à China em busca de uma misteriosa nova invenção, conhecida como "pó negro". Capturados perto da muralha da China, são feitos prisioneiros. Mas quando a muralha sofre o ataque de milhares de criaturas temíveis, os Tao Tei, os dois vão acabar se engajando na luta.


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Crítica Cineweb

15/02/2017

Apesar do título, nada é especialmente grandioso em A Grande Muralha, nova aventura épica do cineasta chinês Zhang Yimou, outrora mais conhecido por seus dramas intimistas e de apuro visual, além de alguns de artes marciais, como Herói e O Clã das Adagas Voadoras. Ele também assinou a cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2008 de Pequim.
 
O novo filme – que traz o norte-americano Matt Damon no papel central – está bem longe de tudo o que Zhang já fez. Contando com alto orçamento – US$ 150 milhões - e muitos efeitos especiais, a ambição do filme é ser uma fantasia de época tendo como cenário principal a Grande Muralha da China.  
 
Segundo uma lenda (totalmente fabricada para o filme), a Grande Muralha foi construída para evitar que criaturas monstruosas, que aparecem a cada 60 anos, invadam o país e dizimem a população. A frágil premissa é o pretexto para fazer a produção mais cara da China, que, aliás, fracassou na bilheteria local, quando estreou lá em dezembro, perdendo para The Mermaids, de Stephen Chow, um filme de baixo orçamento sobre sereias mas, até agora, o mais lucrativo daquele país, com faturamento de US$ 489 milhões.
 
No enredo, um grupo de mercenários europeus ruma para a China da dinastia Song (960-1279), onde vai buscar algo conhecido como “pó negro”, ou seja, a ainda desconhecida pólvora, que seria muito lucrativa na Europa, que está em constante guerra. Logo a comitiva é exterminada, sobrando apenas William (Damon) e seu alívio cômico, Tovar (o ator chileno Pedro Pascal), que chegam à muralha, encontrando-a cercada de monstrengos de dentes afiados. Prisioneiros a princípio, acabarão se unindo ao grande exército de chineses, inclusive com pelotões femininos, na infindável luta contra as criaturas.
 
Os grandes batalhões, identificados por suas especialidades e cores, são liderados pelo estrategista Wang (Andy Lau) e a comandante Lin Mae (Tian Jing), que fala inglês fluentemente, aprendido com a ajuda de Ballard (Willem Dafoe), outro mercenário ocidental que chegou na região e acabou impedido de partir. As caras e bocas do ator logo entregam que ele será um vilão do filme – ao lado dos Tao Tei, o nome das hordas de criaturas assassinas.
 
A edição picotada - assinada por Mary Jo Markey e Craig Wood – mais atrapalha do que ajuda aos interessados em observar o aspecto visual, um suposto ponto forte na produção. Mal se dá tempo de construir a narrativa, pois A Grande Muralha já começa com bombardeio, tiros e monstros carnívoros, para seguir um curto período no qual personagens são apressadamente apresentados, até começar uma nova batalha.
 
Muito se discutiu, durante a produção do filme, sobre a participação de Damon como protagonista e herói do filme – ao invés de um ator ou atriz da China. Ao se ver A Grande Muralha percebe-se que nem era o caso de reclamar, afinal, o personagem dele, além de mercenário, fica sempre em posição inferior em relação a Lin Mae e Wang, que sempre são mais inteligentes, fortes, heroicos e humildes.
 
Já se comparou os filmes mais visualmente exuberantes de Zhang a desfiles de escolas de samba. É curioso que este chegue aos cinemas brasileiros exatamente no final de semana do carnaval. Tanto faz se foi por acaso ou não, mas só se vai descobrir se a estratégia funcionou na Quarta-feira de Cinzas, quando as notas dos jurados, ou melhor, as bilheterias forem divulgadas. 

Alysson Oliveira


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