Norman - Confie em mim

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Bem apessoado, tagarela e aparentemente cheio de contatos, Norman é um homem com agenda própria. Quando ele se aproxima de um importante político israelense de passagem por Nova York, pode estar mudando sua vida. E a do outro.


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Crítica Cineweb

24/04/2017

Ninguém sabe ao certo onde Norman Oppenheimer (Richard Gere) mora. Poderia até ser nas ruas de sua Nova York – mas parece que não. Ele é um sujeito com contatos e generosidade suficientes para compartilhar com amigos e até gente que mal conhece. O personagem-título de Norman: Confie em mim, primeiro filme em língua inglesa do americano radicado em Israel Joseph Cedar (Beaufort) tem como protagonista essa figura que beira o tóxico, com seus excessos de altruísmo, disfarçando seus interesses e ego.
 
Outrora conhecido com símbolo sexual com filmes como Gigolô Americano e Uma Linda Mulher, Gere deixa de lado sua persona pelas qualidades físicas para seduzir pela agenda de contatos – alguns nem tão autênticos quanto ele desejaria. No fundo, toda essa fanfarronice mascara uma profunda solidão.
 
A ascensão de Norman começa quando faz amizade com um proeminente político israelense que está visitando Nova York, Micha Eshel (Lior Ashkenazi). O protagonista compra um caríssimo par de sapatos para o novo amigo. Três anos depois, o político é eleito primeiro-ministro e, surpreendentemente, ainda se lembra do protagonista, a quem não via desde aquele episódio. O que é ainda mais surpreendente é que Norman ganha um cargo na administração de Eshel – é uma figura praticamente decorativa, mas que ainda assim atrai o interesse de diversas pessoas.
 
Nesse momento, começam a aparecer novos personagens na vida de Norman, todos com alguma agenda própria – o sobrinho ambicioso (Michael Sheen), um rabino (Steve Buscemi), um magnata (Harris Yulin) e seu assistente (Dan Stevens), e, por fim, uma funcionária diplomática(Charlotte Gainsbourg). As conexões do protagonista seguem num crescendo até que um escândalo político introduz novos contornos. A partir dessa virada de tom, o filme não consegue mais se recuperar, tomando um caminho acidentado e perdendo parte de seu charme.
 
Norman, como dizem outros personagens, é um “judeu generoso” e, através dele, Cedar subverte todo o estereótipo pejorativo de personagens judeus mesquinhos, desde o Shylock de O Mercador de Veneza, de Shakespeare, até Fagin, de Oliver Twist, de Charles Dickens. Muito do protagonista aqui depende da aura de confiança que ele é capaz de transmitir aos outros personagens. É preciso que eles acreditem nos contatos dessa figura um tanto desalinhada, que nunca tira seu pesado sobretudo ou larga o celular.
 
O filme só funciona em determinados segmentos pela confiança que Gere é capaz de transmitir, com sua voz pesada e atitudes inesperadas. Norman é exagerado, chega a ser chato em sua insistência, e, ainda assim, as pessoas (ou, pelo menos, a maioria delas) lhe dão atenção.
 
Do alto de seus quase 70 anos, Gere poderia ter se reinventado como herói de filmes de ação – como seus contemporâneos Liam Neeson e Bruce Willis – mas foi por um caminho completamente oposto, envolvendo- se com filmes mais calcados em estudos de personagens complexos. Nem sempre ele acerta, mas aqui, se há uma grande qualidade em Norman, é a performance repleta de nuances e compreensão de um personagem nem sempre agradável. 

Alysson Oliveira


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