Alien: Covenant

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 1 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Uma nave colonizadora, a Covenant, dirige-se a um planeta distante, previamente estudado e com condições de abrigar vida. A bordo, a tripulação está em hibernação, com supervisão do computador de bordo e do androide Walter. Uma emergência precipita os acontecimentos e a tripulação é acordada, o que os leva a uma aventura num planeta misterioso - aparentemente também capaz de abrigar uma colônia humana.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

03/05/2017

De várias maneiras, a ficção científica Alien: Covenant, de Ridley Scott, pode ser visto como um comentário simbólico sobre nossos tempos – talvez até mesmo à sua revelia. Retomando personagens criados por Dan O’Bannon e Ronald Shusett, com roteiro de John Logan e Dante Harper, explora-se a história de uma semente do mal ser propagada, incubada e levada a invadir corpos – até de pessoas boas, talentosas e bem-intencionadas, tudo isso sendo o plano de um ser não exatamente humano, embora guarde toda a imagem e semelhança com um.
 
Evidentemente, sabemos desde Alien, o Oitavo Passageiro (1979)– do qual este filme é a segunda prequel – que algo deu tremendamente errado neste plano com aparência de perfeição programada, a partir de uma busca da criação com total controle.
 
Nesta fantasia gótica, há muitas referências indiretas ao nazismo – e a preferência de um dos personagens pela (bela) música de Richard Wagner não há de ser a mais velada. Na verdade, essa dimensão cósmico-histórica do roteiro é um dos aspectos mais interessantes, ousados e estimulantes de uma obra que, afinal, poderia não passar de uma aventura – e há momentos gore suficientes para nos lembrar que se trata também de um filme de gênero que busca o entretenimento e não teme o horror de algumas situações (negá-lo seria trair o próprio espírito da saga, afinal).
 
Há uma tentativa de replicar a figura da inesquecível tenente Ripley (Sigourney Weaver) da saga Alien através da capitã Daniels (Katherine Waterston) – ou seja, uma mulher, líder e sem perder a ternura (e ter começado o filme com uma viuvez é sintomático). Mas as perdas assinalam também o caminho de outros personagens aqui, empatando o jogo e mantendo à tona um mínimo de identificação humana da plateia com estes personagens em situação tão extraordinária.
 
A contraposição vai ser o jogo entre dois androides, ambos interpretados por Michael Fassbender, defendendo o personagem mais complexo da trama, David – moldado à perfeição da estátua de Michelangelo, versado na música clássica e na poesia romântica inglesa mas uma esfinge de contradições, que lhe permitem jogar contra Walter, o outro androide, o duelo do bem e do mal mais complexo do filme. Interpretados pelo mesmo ator, os dois são como a dupla face de Jano, que na mitologia romana tem duas faces e está associado a todos os começos. E David, certamente, está à altura de outro androide inesquecível, Roy Batty (Rutger Hauer), de Blade Runner, O Caçador de Androides (1982), ao lado de Alien, O Oitavo Passageiro os títulos assinados por Scott que redefiniram a ficção científica há mais de 30 anos atrás.
 
Produzindo e dirigindo mais uma vez um filme da saga que tem a sua marca, Ridley Scott, às vésperas dos 80 anos – a serem completados em novembro - mostra-se à altura do desafio. Realizou um filme que entretém, nunca entedia por sua duração (122 minutos) e responde suas perguntas (sem explicar demais nem perder o ritmo, como aconteceu com a primeira prequel, Prometheus, de 2012) – deixando aberta, é claro, a porta às suas continuações, podendo render até uma nova trilogia, segundo o próprio Scott.

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança