Rei Arthur - A lenda da espada

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Locais de filmagem


Sinopse

Na Londinium medieval, o rei Uther é traído e assassinado pelo próprio irmão, Vortigern. Mas o herdeiro-bebê, Arthur, sobrevive milagrosamente, longe do palácio, acolhido num bordel. Ele cresce nas ruas, envolvido em roubos e brigas. Até o dia em que sua verdadeira identidade vem à tona, quando ele consegue tirar da rocha a espada Excalibur.


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Crítica Cineweb

04/05/2017

O diretor inglês Guy Ritchie adora um revisionismo histórico, ainda que seja de mitos. É só notar o que ele fez com Sherlock Holmes, cometendo a heresia de escalar um norte-americano, Robert Downey Jr., para um dos personagens mais britânicos até a medula segundo a tradição. E repete a irreverência frenética com ninguém menos do que o soberano- líder dos Cavaleiros da Távola Redonda em Rei Arthur – A Lenda da Espada.
 
Verdade que o resultado inicial da bilheteria nos EUA, no último final de semana, decepcionou – arrecadando US$ 14,7 milhões, quando o esperado era US$ 25 milhões para começar a compensar o alto orçamento de US$ 175 milhões. Fora os eventuais defeitos que possa ter a nova fantasia de Ritchie, um problema foi ter cruzado com a estreia recente nos EUA da aventura Guardiões da Galáxia 2, que está arrebentando em praticamente todo o mundo. Aí, a dependência do sucesso na bilheteria internacional vai crescer muito.
 
Como sempre em se tratando do universo de Guy Ritchie, ninguém pode reclamar de filme parado. Na tela, literalmente acontece tudo e mais um pouco em altíssima velocidade e as habituais câmeras lentas aqui e ali para recontar a história de Arthur (Charlie Hunnam), o príncipe herdeiro cujo pai, Uther (Eric Bana), foi assassinado pelo próprio irmão, Vortigern (Jude Law), para usurpar-lhe o trono. O herdeiro, um bebê, deveria ter sido morto também, mas foi salvo por milagre num barquinho.
 
Contada em movimento fast forward, a infância do príncipe na sombria Londinium medieval seria quase uma revisita a Oliver Twist, de Charles Dickens, com o orfanato cruel sendo substituído por um bordel bem maternal e o protagonista manifestando um insuspeito talento tanto para o roubo quanto para as brigas – tendo um mestre oriental, quem diria, George (Tom Wu) para aperfeiçoar estes últimos dotes.
 
Esta formação heterodoxa para qualquer príncipe, ainda mais este que parece mais um roqueiro heavy metal do que um nobre, é parte da pegada de humor que os roteiristas Lionel Wigram, Joby Harold e o próprio Ritchie tentam injetar ao cenário todo. De quebra, contam com efeitos especiais de montão, incluídos aí mega-elefantes e uma cobra gigantesca, que propiciam algumas das melhores sequências do filme. Melhores em termos de diversão, que é inegável que existe aqui.
 
Como sempre se faz numa aventura de ação deste tipo, de olho nas sequências, há alguns problemas sérios, o principal deles, a ausência do mago Merlin, personagem fundamental para qualquer história envolvendo Arthur – mas parece que ele só vai aparecer no segundo filme. Outro problema é o relativo apagamento da única personagem feminina de destaque, a Maga (Astrid Bergès-Frisbey), com quem o príncipe nem chega a ter um envolvimento. Resultado: faltou romance e outras personagens femininas interessantes.
 
Como se esticou muito – o filme todo, praticamente – a relutância do príncipe para assumir o destino que é seu por direito, depois que ele descobre sua verdadeira identidade no famoso episódio da espada cravada na rocha, há momentos em que cai o interesse pelo protagonista. Aí, ganham peso alguns dos aliados de Arthur, caso de Bill Sebento (Aidan Gillen, o lorde Baelish de Game of Thrones) e Bedivere (Djimon Hounsou).
 
Não são tão bem-resolvidas também as reações estranhas de Arthur toda vez que toca a espada que, afinal, lhe pertence – parecem surtos paranormais, que não encaixam muito bem no clima geral.
 
Interpretado com sinistra determinação por Jude Law, o vilão usurpador Vortigern é carismático, emprestando-se um caráter à la Ricardo III e tendo como auxiliares do mal um bando de bruxas-serpentes que ele invoca sempre numa caverna subterrânea. Sua convicção é uma das melhores coisas do filme.
 
Visto antes em Z: A Cidade Perdida (2016) e na série Filhos da Anarquia, Charlie Hunnam compõe um anti-herói cínico, bem nos moldes do universo pop de Ritchie. De esperar para ver se as esperadas sequências colocam diálogos melhores à sua disposição.

Neusa Barbosa


Trailer


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