Perdidos em Paris

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Fiona é uma bibliotecária canadense que vai até Paris ajudar a tia idosa. Porém, elas se desencontram e a jovem vive diversas aventuras pelas ruas da cidade, na companhia de um simpático sem-teto.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

28/06/2017

Há uma inocência quase comovente em Perdidos em Paris, do casal Dominique Abel e Fiona Gordon, responsáveis pelo roteiro, direção e interpretação dos protagonistas. O longa traz um tipo de humor que, como dizem, não se faz mais, que se apoia na ingenuidade e ternura, além de levemente físico. Em outras palavras, no filme há algo de Charlie Chaplin, Jacques Tati e Jerry Lewis. E também há a presença de Emmanuelle Riva – a grande atriz de Hiroshima, Mon Amour, que morreu em janeiro passado, aos 89 anos.
 
O filme começa com a tia da pequena Fiona dizendo que vai para Paris. Elas vivem no norte do Canadá, numa região onde nevascas são constantes. Desde então, a menina sonha com a tia (Emmanuelle) e a capital francesa. Anos mais tarde, a garota cresceu – agora interpretada pela própria Fiona Gordon – e se tornou um bibliotecária bonita ao seu modo, embora um tanto atrapalhada, e ainda morando na mesma região gélida.
 
A chance de ir para Paris chega com a carta da tia Martha, contando que o governo quer interná-la porque não está muito bem da memória e não pode mais morar sozinha. O que resta a Fiona senão ir à França? A personagem, que parece saída de um filme de Wes Anderson (assim como boa parte do cenário e da encenação), chega à cidade, mas não encontra a parenta idosa e se envolve em confusões.
 
Enquanto espera pela tia, faz turismo e acaba esbarrando num sem-teto um tanto lúdico (Dominique Abel), que mora numa barraca de acampamento na margem do rio Sena. Por acaso, aliás, ele encontrou a mala que Fiona perdeu quando, acidentalmente, caiu no rio, enquanto posava para uma foto com a Torre Eiffel ao fundo. Esse será apenas o ponto de partida de encontros, desencontros, coincidências e incidentes que unirão e separarão a dupla, servindo como pretexto para momentos do humor mais puro.
 
Martha, por sua vez, também está perdida pelas ruas de Paris, fugindo dos médicos que estão em seu encalço para interná-la num asilo. Ela também acabará envolvida na série de confusões e afins com a sobrinha e o novo amigo.
 
Perdidos em Paris não é filme de trama, pois sua narrativa é apenas uma justificativa para o humor singelo e momentos de homenagem ao cinema cômico, gerando gags engraçadas. O longa até ensaia um triângulo amoroso, uma história romântica, envolvendo Fiona, o morador de rua e um membro da Polícia Montada Canadense (Frédéric Meert), que está fazendo uma espécie de estágio na França, mas isso pouco importa.
 
Em meio a tudo isso, o filme ainda deu um belo de um palco para Emmanuelle brilhar em um dos poucos papeis cômicos em sua carreira – numa personagem que é uma espécie de versão lúdica daquela que fez em Amor, de Michael Haneke, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz, em 2013. Num dos momentos mais bonitos do longa, que acontece num banco no cemitério Père Lachaise, ela contracena com o veterano ator Pierre Richard (que interpreta um antigo amor de Martha). A câmera mostra apenas o balé dos pés da dupla, algo simples e tocante – resumindo perfeitamente todo o sentimento do filme. 

Alysson Oliveira


Trailer


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