Tour de France

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Far'Hook é um rapper da periferia de Paris que precisa sumir da cidade depois de uma briga com o irmão de um gângster. Seu produtor o coloca para ser motorista temporário de seu pai, Serge, numa viagem pelo interior da França. Acontece que Serge é um ex-operário racista, que não gosta de árabes. Os dois vão ter conflitos mas também encontram o que compartilhar.


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Crítica Cineweb

07/07/2017

Há uma indiscutível vontade, em Tour de France, em tomar o pulso de um dos grandes conflitos da França multiétnica de hoje. O melhor é que o diretor e roteirista Rachid Djaïdani escolheu bem seus gladiadores nessa luta, o jovem rapper de origem árabe Far’Hook (o rapper Sadek) e o velho operário reacionário Serge (Gérard Depardieu).
 
Filme de estrada, Tour de France não poderia ter recebido nome mais emblemático do que o desta tradicional prova ciclística francesa. O veículo, no entanto, é um caminhão bem precário, pertencente a Serge, que aceita, a contragosto, Far’Hook como seu motorista, em substituição a seu filho, Bilal (Nicolas Marétheu) - que é produtor do rapper e neste momento não pode viajar devido ao iminente nascimento de seu primeiro bebê.
 
A raiva que Serge despeja contra o motorista muçulmano, aliás, tem a ver com o filho, que nasceu Mathias mas se converteu àquela religião, o que o pai nunca aceitou. Assim, Serge sente-se invadido na própria casa. Chega a dizer que gente como ele, católicos brancos, são agora “minoria” em seu próprio país. Por conta desse e outros comentários intolerantes, o clima fica tenso entre os dois, até porque Far’Hook não deixa de apontar as contradições da mentalidade de Serge, nem de manifestar seu próprio mal-estar ao ser maltratado em seu próprio país, sendo francês.
 
Declaradas as armas de cada um, é tempo para que eles possam trocar alguma coisa, o que de início não parece provável. Serge planejou esta viagem para conhecer diversos portos na França, para pintá-los, repetindo a trajetória de Joseph Vernet, pintor da corte de Luís XV. Ou seja, uma empreitada tradicional, que reflete a velha França em que ele acredita, a França de um passado acadêmico, que ele preferia que permanecesse intocado. A última parada é Marselha, onde Far’Hook deve fazer um show – isso se Bilal conseguir controlar os maus bofes de Sphynx (Mabô Kouyaté), um rapper irmão de um gângster que já tentou apagar Far’Hook e quer tomar o seu lugar.
 
Inevitavelmente, Serge e Far’Hook vão ter que conversar e aí o velho reacionário tem a oportunidade de perceber que o rapaz conhece as músicas de que ele mesmo gosta – como as de Serge Lama. Inevitável, também, que eles passem a conhecer um ao outro e compartilhar o mínimo de emoções, inclusive quando os dois enfrentam a polícia, num incidente que, a princípio, visava apenas Far’Hook. As letras do rapper, compostas ao longo do caminho, vão situando em que ponto entram as contribuições desta viagem de crescimento para ambos.
 
Estreando no cinema, o rapper Sadek investe no papel boa parte de sua trajetória pessoal, conferindo ao personagem uma autenticidade que aumenta o interesse. Ao lado dele, o consagrado Depardieu usa sem esforço seu grande talento para compor com humanidade um personagem com todo potencial para ser desagradável – mas não irredutível. Com vários créditos como ator no currículo, inclusive em curtas e séries de TV, e tendo assinado dois documentários antes (Encré e Sur ma ligne), o diretor acerta a mão com um filme agradável que não banaliza os conflitos que aborda.

Neusa Barbosa


Trailer


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