Uma mulher fantástica

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Marina é uma garçonete transexual que sonha ser cantora e vive uma relação estável com Orlando, um homem que largou a família para viver com ela. Um dia, ele sofre um mal súbito e tem que ser internado. A partir daí, Marina terá que enfrentar os preconceitos da família dele e até suspeitas da polícia.


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Crítica Cineweb

25/08/2017

Vencedor do prêmio de roteiro e do troféu Teddy do mais recente Festival de Berlim e dos prêmios de melhor trilha sonora original e melhor som no mais recente Cine Ceará, o drama chileno Uma mulher fantástica, de Sebastián Lelio, sustenta uma história capaz de situar com emoção e propriedade a trajetória de uma transexual – a ponto de ter colocado em discussão, no Chile, a introdução de uma lei em benefício de pessoas dessa condição para que tenham permissão de mudar seus nomes. 
 
Daniela Vega interpreta com força e credibilidade a protagonista, Marina, uma garçonete transexual que sonha tornar-se cantora e mantém uma relação estável com um homem mais velho, Orlando (Francisco Reyes). O passado deste envolvimento vem à tona quando Orlando tem um mal súbito e se descobre o grande escândalo causado pela entrada de Marina em sua vida familiar.
 
O roteiro, de autoria também de Lelio e Gonzalo Maza, centra-se nos dilemas de Marina para enfrentar um conjunto de pressões, vindas da família de Orlando e até da polícia, colocando a nu um formidável arsenal de preconceitos dirigidos contra ela, especialmente por sua condição transexual.
 
Marina é uma personagem de grande densidade humana – tal como havia sido a Glória do filme homônimo de Lelio, também vencedor em Berlim de um prêmio de atriz em 2013. Mais uma vez o diretor exerce com perícia a construção de uma personagem feminina de carne e osso, nem heroína nem marginal, de posse de todos os seus desejos e contradições. Impossível não simpatizar com ela em sua luta de seguir em frente no meio de uma grande dor, que a despoja de sua maior proteção, mas não de seu ímpeto de afirmar sua normalidade.
 
Muito da autenticidade do filme se depreende do fato de que a história foi, na verdade, construída em torno da própria Daniela Vega, a princípio apenas consultora do roteiro, mas ganhando força no decorrer do processo de produção. O resultado tem tamanha energia que quase não se nota que este é, na verdade, o primeiro trabalho como protagonista de Daniela, uma cantora lírica que havia feito antes apenas uma pequena participação no filme La Visita, de Cuto López.
 
É verdade que Uma Mulher Fantástica, produzido por Lelio, Maza e também pelos irmãos Pablo e Juan de Dios Larraín, estes, dois nomes fundamentais do hoje pujante cinema chileno, tropeça eventualmente numa mão pesada na condução de uma situação ou outra. Mas isto está longe de pôr o filme a perder. A questão transexual é inserida no contexto e tratada como o que é, uma questão humana.

Neusa Barbosa


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