No intenso agora

Ficha técnica

  • Nome: No intenso agora
  • Nome Original: No intenso agora
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2017
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 127 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: João Moreira Salles
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

Neste documentário ensaístico, o cineasta João Moreira Salles parte de imagens colhidas por sua mãe, Elisa, na China da Revolução Cultural de 1966, para traçar uma reflexão sobre a instabilidade do tempo e das utopias, revisitando imagens de Maio de 1968 na França e da Primavera de Praga, no mesmo ano.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

19/09/2017

Onze anos depois do premiado Santiago (2006), em que investiga o perfil de um mordomo de sua família, João Moreira Salles volta ao cinema. Uma fagulha de sua história pessoal percorre também No Intenso Agora, documentário ensaístico premiado em festivais no Japão, França e Chile que teve como ponto de partida imagens colhidas por sua mãe, Elisa, na China, numa viagem em 1966, encontradas por acaso 40 anos depois.
 
Se os filmes deixados por Elisa são o pretexto inicial, na verdade eles não ocupam mais do que uma pequena parte deste documentário que, ao contrário de Santiago, baseia-se exclusivamente em materiais de arquivo. A ligação que se aplica a esses materiais, recolhidos de alguns momentos históricos de turbulenta transformação, como maio de 1968 na França e o rescaldo da Primavera de Praga, no mesmo ano, é uma fina reflexão sobre a instabilidade do momento presente. Em outras palavras, do próprio tempo.
 
Um filme tcheco amador que mostra a felicidade de uma festa ao ar livre, no verão, abre a exploração deste documentário em torno do significado destes múltiplos registros. Numa outra sequência, no Brasil, a tentativa de uma babá de esconder-se da câmera que procura as crianças sob sua responsabilidade diz mais do que mil discursos sobre a introjeção da submissão ao princípio da invisibilidade social, insistentemente martelado em corações e mentes.
 
É no maio de 1968 na França que o filme mais se detém, desde as manifestações de rua e barricadas, discursos e entrevistas do líder estudantil Daniel Cohn-Bendit à participação de anônimos e de figuras como Jean-Paul Sartre e Marguerite Duras em alguns de seus episódios. Tudo isso procurando captar o espírito dos acontecimentos de uma época em que se sonhou ser possível, tomando as ruas, colocar a “imaginação no poder”.
 
De forma aguda, João faz o contraponto dessa energia vital das ruas, ocupadas por estudantes e greves operárias, com os discursos de Charles De Gaulle, o presidente contestado que, tanto como os líderes da revolta, sabe organizar-se midiaticamente para mover a opinião pública. Há o começo e o fim de uma utopia que, afinal, teve veiculados alguns slogans que haviam sido criados, quem diria, por publicitários (“sob os paralelepípedos, a praia”).
 
No caso da Tchecoslováquia, as imagens escolhidas, geralmente realizadas clandestinamente por anônimos, detalham, a partir de janelas de apartamentos (mas há também algumas feitas corajosamente nas ruas), a invasão soviética por tanques e tropas que liquidou a Primavera de Praga, igualmente um movimento libertário de curta duração. E não sem vítimas, caso de Ian Palak, que se imolou, aos 20 anos, em meio a chamas, obtendo em seu enterro um impressionante cortejo, silenciosamente eloquente. Esta sequência faz a ponte para uma das raras imagens do Brasil no filme, que relembra o enterro do estudante Édson Luiz, morto aos 18 anos, em março de 1968, época de recrudescimento da ditadura militar.
 
A China visitada pela mãe do cineasta, em plena Revolução Cultural, perdurou em sua memória como um país “com muito barulho e muito vermelho”, que a ela lembrou as procissões religiosas. Integrando, com outros brasileiros, uma viagem bancada por uma revista francesa de arte, Elisa empolgou-se também com as mãos dos chineses. Cineasta crítico, João ressalta o amadorismo das imagens da mãe, mas não se recusa à ternura ao identificar que ela foi feliz na China – por isso, ele gosta de pensar nela lá, quando tudo era possível. Assim como todas as ideias, projetos, utopias, sonhos de cada uma das imagens que este vigoroso documentário associa, com montagem requintada de Eduardo Escorel e Laís Lifschitz.

Neusa Barbosa


Trailer


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