Victoria e Abdul - O confidente da rainha

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Locais de filmagem


Sinopse

Enviado à Inglaterra para entregar uma medalha comemorativa à rainha Victoria, o indiano Abdul acaba, inesperadamente, caindo nas boas graças da idosa e solitária soberana. A ligação entre os dois cria desconfiança e provoca tentativas de intriga por parte de diversos membros da corte - que se ressentem de ele ser estrangeiro e muçulmano.


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Crítica Cineweb

07/11/2017

Papeis de rainhas não são estranhos a Judi Dench, que já abraçou o de Victoria em Sua Majestade, Mrs. Brown (1997) e Elizabeth I em Shakespeare Apaixonado (98) – este, dando-lhe o Oscar de melhor coadjuvante por menos de 10 minutos em cena.
 
Ela volta ao papel de rainha Victoria no drama de época Victoria e Abdul – O confidente da rainha, em que Stephen Frears retrata a inusitada amizade entre a soberana, já em idade avançada, e um servidor indiano, Abdul Karim (Ali Fazal).
 
Trabalhando no correio em Agra, Abdul é selecionado, juntamente com Mohammed (Adeel Akhtar), para viajar até Londres e entregar uma moeda comemorativa à rainha. No caso de Abdul, a escolha foi apenas em função de sua alta estatura. O fato é que, por isso e um comportamento um pouco fora do protocolo, ele acaba atraindo as afeições de uma soberana sufocada pelo rígido cerimonial do cargo e extremamente solitária.
 
Do modo como o roteiro de Lee Hall o retrata, sem profundidade, é difícil saber o que se passa na mente de Abdul que, de um modo ou de outro, acaba dando-se bem ao ser nomeado pajem da rainha – para desgosto de Mohammed, que também vê adiado o seu sonho de livrar-se do frio britânico e voltar à Índia.
 
Judi Dench é uma atriz magnética, a quem sempre se tem o prazer de seguir, mesmo que seu papel aqui não a contemple à altura. De todo modo, é fácil simpatizar com a solidão da rainha e entender seu afeto por Abdul, com quem ela mantém conversas fora do padrão habitual da corte, levando-a a interessar-se pelo urdu, idioma falado por ele, que acaba tornando-se também seu “munshi” – um guia espiritual.
 
Nada disso, é certo, agrada à sua entourage, que se sente incomodada pelo poder acumulado pelo estrangeiro, que é muçulmano – um detalhe que se transforma em fator adicional para alimentar a intolerância contra ele entre os membros da corte.
 
Uma das poucas espertezas no filme é captar, ainda que de leve, a ligação platônica que a velha rainha viúva mantém com o súdito indiano. Mas isso, assim como o conflito da corte contra ele, não é devidamente desenvolvido. Incomoda, também, que a rainha, que liderou o Império Britânico no seu auge, seja pintada como de algum modo tolerante em relação a outras culturas, passando uma esponja no componente colonialista que sua administração consolidou como nenhuma outra em seu país.
 
É evidente que o experimentado diretor de Minha Adorável Lavanderia e Philomena (também com a admirável Dench) esquivou-se ao máximo de qualquer possibilidade de controvérsia, limitando-se a pincelar, de leve, uma amizade que passou à história de modo um tanto folclórico, sem que soubesse, na verdade, maiores informações sobre o misterioso personagem indiano. Por isso, pode-se facilmente simpatizar bem mais com Mohammed que, pelo menos, mostra dignidade em sua rebelião contra os convictos colonialistas da corte em mais de uma ocasião.

Neusa Barbosa


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