Assassinato no Expresso do Oriente

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Locais de filmagem


Sinopse

Numa longa viagem no luxuoso Expresso do Oriente ocorre um assassinato. Por sorte, o detetive Hercule Poirot está a bordo e se voluntaria para investigar o crime. Todos se tornam suspeitos.


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Crítica Cineweb

21/11/2017

O final é o grande trunfo de Assassinato no Expresso do Oriente, um dos mais celebrados livros da famosa escritora policial Agatha Christie. Sua trama intrincada e cheia de personagens, confinados a bordo de um trem, já foi objeto de uma elegante adaptação cinematográfica, povoada de astros e estrelas, e dirigida por Sidney Lumet, em 1974. Nela, o detetive Hercule Poirot era interpretado pelo inglês Albert Finney.
 
Quarenta e três anos depois, o irlandês Kenneth Branagh assume o desafio de injetar vida nova numa história que tem, pelo menos, o potencial de ser grandemente conhecida. Ainda que se possa supor, evidentemente, que muita gente, especialmente das novas gerações, pode não ter lido o livro nem visto o antigo filme.
 
Diretor que gosta de dividir sua energia também em papeis principais – como fez em suas adaptações de Shakespeare, como Henrique V (1989) e Hamlet (1996) -, Branagh encarna o detetive belga Hercule Poirot, o que, de cara, lhe dá a oportunidade de empunhar o vastíssimo bigode e o sotaque curioso do personagem.
 
O ano é 1934 – o mesmo da publicação do livro original. O cenário inicial, o Muro das Lamentações, em Jerusalém, lugar em que Poirot dará seu primeiro show de deduções precisas e brilhantes, envolvendo o roubo de uma relíquia, que provocara uma verdadeira guerra entre as três comunidades religiosas locais, cristã, judaica e muçulmana.
 
Findo este primeiro teste para o seu talento, Poirot pensa em sair de férias, rumando para Istambul. Lá mesmo, é encaminhado para uma missão na Inglaterra, o que o colocará a bordo do famoso trem – por intermédio da providencial ajuda de um de seus contatos, Bouc (Tom Bateman), da família proprietária da linha.
 
Dentro do luxuoso trem, a bordo do qual a produção se permite alguns merchandisings de famosas marcas de chocolate e champanhe, a fauna humana é variada. Ali viajam desde um marchand meio gângster, Edward Ratchett (Johnny Depp), uma princesa russa (Judi Dench), uma madura caça-maridos, Caroline Hubbard (Michelle Pfeiffer), uma governanta, Mary Debenham (Daisy Ridley), um professor alemão (Willem Dafoe), uma carola (Penélope Cruz) e um médico norte-americano, dr. Arthbutnot (Leslie Odom Jr.) – este, um personagem negro, detalhe diferente da produção de 1974, em que o personagem era interpretado por Sean Connery, permitindo que algumas discussões sobre racismo apimentem algumas cenas aqui.
 
Ainda assim, nada de drástico parece que vai acontecer ali, exceto refeições refinadas e conversas sociais ao pé da mesa. Nem mesmo a proposta de Ratchett para que Poirot trabalhe como seu guarda-costas é capaz de alterar muito os ânimos do civilizado detetive – que recusa prontamente. Quando, finalmente, um dos passageiros aparece morto, esfaqueado em sua própria cabine, terminam as férias de Poirot, que se lança com apetite aos intrigantes detalhes do crime, cuja solução é perturbada pelo aparecimento de pistas tão constantes quanto contraditórias. Os truncados depoimentos dos sobreviventes, da mesma forma, parecem levar o detetive a um labirinto sem saída.
 
Outro acidente a somar suspense à trama foi o fato de o trem ser detido nos trilhos por uma avalanche, que provocou o descarrilamento de um de seus vagões. Isso e mais a presença de um ou mais assassinos à solta são o tempero da história, que evolui com uma série de reviravoltas, até porque a solução não tem nada de simples.
 
Sem reinventar a roda, Branagh apoia-se num elenco evidentemente disponível, compondo um divertimento elegante e sem sustos. Para quem conhece o final, a graça é menor mas, ainda assim, é uma história que merece a revisita. Os produtores, entre eles, Ridley Scott, já sonham com sequências alongando a sobrevivência do famoso detetive, com uma fala final de Poirot apontando para Morte no Nilo, outro famoso livro de Agatha Christie.

Neusa Barbosa


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