Lucky

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Lucky tem 90 anos, e vive uma cidade estranha no meio do deserto. Sozinho, ele é levado a uma jornada de autodescoberta. Último filme do ator Harry Dean Stanton.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

28/11/2017

Em sua estreia na direção, John Carroll Lynch, filho do cineasta David Lynch, deixa material para uma reflexão profunda, sem deixar de ser bem-humorada, sobre o envelhecimento. Bem recebido no Festival de Locarno, o filme foi o último trabalho do ator Harry Dean Stanton, morto em setembro de 2017, aos 91 anos, duas semanas antes da estreia.
 
Na pele flácida e enrugada de Lucky, um velho de 90 anos, Stanton atua em um cenário que lhe era familiar, uma região árida do Arizona, como a que cruzou em Paris, Texas, de Wim Wenders, em 1984.
 
Não parece exagero considerar que Lucky atua na mesma sintonia que Presidente Roosevelt, a tartaruga de 100 anos que foge da casa de seu dono, Howard (o diretor David Lynch), arrasado por ter esquecido o portão aberto, o que facilitou sua fuga. Em vários momentos a câmara acompanha o lento e persistente caminho empreendido por Roosevelt no deserto, em um paralelo com os personagens, em sua maioria também idosos, mas ainda distantes de Lucky, que começa a se preocupar com a morte ao sofrer uma queda em casa.
 
Lucky vive em uma cidade pequena, pouco mais que um vilarejo do faroeste, e é conhecido por todos: o dono da lanchonete, onde senta-se para beber café diariamente e fazer palavras cruzadas; a dona da tabacaria; a dona e os frequentadores do bar onde bebe sua dose noturna de bloody mary – também frequentado por Howard, que fala filosoficamente sobre o envelhecimento quando lamenta a perda de sua tartaruga, tão velha quanto os cactos que Harry encontra no caminho de sua casa.
 
Também não seria exagero procurar no personagem de Stanton traços de sua própria história. Em uma das poucas cenas em que fala sobre seu passado, Lucky revela que foi soldado da marinha, durante a II Guerra, mas sem que possa ser reconhecido pela bravura. Como seu personagem, Stanton também serviu na marinha, como cozinheiro.
 
Lucky (sortudo, em inglês), que driblou a morte na guerra sem precisar dar nenhum tiro, que tem boa saúde (apesar de fumar um maço de cigarros por dia), procura encontrar nas palavras cruzadas a palavra certa que defina o momento em que vive. Uma delas é “verdade”, cujo significado pode mudar dependendo do ponto de vista de quem conta a história. É o que diz em uma noite no bar quando procura se defender de um erro que, jura, nunca cometeu.

Luiz Vita


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Comentários:
  • 14/08/2018 - 09h53 - Por Otávio "Lucky" é um filme muito delicado e profundo. Se soma a outros bons filmes relativamente recentes que discutem o envelhecer e a morte (como "A Família Savage"), ao mesmo tempo que discute a morte de uma perspectiva bastante particular. Nao lembro de nenhum outro filme discutindo o medo de tudo acabar, o medo do nada, e a idéia de que a morte é uma viagem que ao fim e ao cabo se faz sozinho (o que é muito perturbador, talvez porque sejamos os animais sociais que somos).

    Sem querer dei uma nota baixa ao filme, o que fez com que sua nota caísse para 3 estrelas. Mas em realidade achei o filme ótimo. Merece quatro estrelas com certeza.
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