A forma da água

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Em plenos anos de 1960, uma tímida zeladora muda de um laboratório secreto americano se afeiçoa a uma criatura marinha, que foi capturada na América do Sul e é mantida prisioneira.


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Crítica Cineweb

06/12/2017

Campeão de indicações (13) ao Oscar 2018, depois de vencer o Leão de Ouro em Veneza 2017, A Forma da Água, de Guillermo del Toro, combina de forma peculiar elementos de diversos gêneros num todo que funciona e extrai sensações de humor, poesia, horror, melancolia e algo mais.
 
A filmografia de del Toro, em que se destacam títulos como A espinha do diabo (2001) e O labirinto do fauno (2006), flerta com a fantasia e não teme explorar algumas pitadas de terror. É o tipo de diretor que devora uma série de influências mas é capaz de reconstruí-las em histórias que têm a sua assinatura, como acontece notavelmente em A forma da água.
 
Não que seja unanimidade. Nem todos os públicos embarcarão no romance inusitado entre a faxineira muda Elisa Esposito (Sally Hawkins) e um humanoide anfíbio (Doug Jones), capturado em águas da América do Sul no princípio dos anos 1960. O filme de época respira o clima da Guerra Fria, que justifica o manejo violento deste ser diferente, que está sob o jugo do funcionário do governo Strickland (Michael Shannon).
 
Quando o filme revela a rotina de pai de família deste homem, apenas o faz para contrapô-la à bipolaridade de suas reações no trabalho – onde se compraz em aplicar choques na criatura aquática, além de exercer assédio sexual contra subordinadas. Estes detalhes poderiam tornar-se mero recurso maniqueísta se não fizessem sentido neste universo aparentado aos contos de fadas e também de ficção científica, onde a presença de um vilão impiedoso é essencial para trazer à tona o que há de mais belo e bom no mesmo mundo.
 
A ternura à toda prova aqui fica por conta de Elisa que, devido à sua mudez, encontra dificuldades de relacionamento e já desistiu da vida amorosa. Seus poucos amigos são o vizinho Giles (Richard Jenkins) e a colega Zelda (Octavia Spencer) e se resume praticamente a eles toda a sua vida social. Assim sendo, sua identificação com a criatura capturada que, como ela, não consegue articular falas, é total e generosa.
 
O que pode vencer – e geralmente vence – a resistência do espectador desconfiado é a pureza de Elisa, que empreende uma jornada sistemática de aproximação com o cativo – usando, para isso, petiscos e música como formas de comunicação.
 
Reforçando a atmosfera de Guerra Fria, há inclusive um espião russo infiltrado no laboratório, o cientista Robert Hoffstetler (Michael Stuhlbarg), que é a principal frente de resistência a Strickland na defesa da integridade física da criatura.
 
Não tão bela, ela, nem tão fera, ele, os protagonistas da história são capazes de sustentar diversos momentos belos de convivência, se se embarcar em sua jornada de liberdade e imaginação. Lembrando, às vezes, O fabuloso destino de Amélie Poulain, em termos do espírito de sua protagonista e do visual sombrio, o filme decola em outras direções e é uma grata surpresa, rica de nuances e apuro visual.
 
A forma da água foi indicado ao Oscar de: melhor filme, diretor, fotografia, montagem, trilha sonora, edição de som, mixagem de som, atriz (Sally Hawkins), atriz coadjuvante (Octavia Spencer), ator coadjuvante (Richard Jenkins), figurino, roteiro original e desenho de produção.

Neusa Barbosa


Trailer


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