Roda gigante

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Nos anos 1950, Ginny vive com o marido, Humpty, em Coney Island. Ela é garçonete, ele, operador da roda-gigante. Levam uma vida sacrificada e cheia de frustrações que sofre um abalo quando Carolina, filha do outro casamento dele, volta para casa do pai, fugindo do marido mafioso. Ginny, por sua vez, se apaixona pelo salva-vidas Mickey que, como ela, ama o teatro.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

11/12/2017

Roda Gigante, o mais recente filme escrito e dirigido por Woody Allen, está fadado a ser um dos menos apreciados de sua extensa filmografia – para começar por não ser nem um pouco uma comédia. Desde seu passado remoto, o diretor não foi bem acolhido por seus filmes dramáticos, caso de Interiores (78) e Setembro (87).
 
Não é segredo para ninguém que, a esta altura, o diretor de 82 anos está repisando os próprios passos, revisitando as próprias personagens e influências – o que significa menos novidades, menos frescor, talvez, mas a rigor nada desinteressante, considerando-se sua estrada como cineasta.
 
Assim, neste novo filme, ele volta a Coney Island, praia de Nova York que era o berço de Alvy Singer, protagonista de seu clássico Annie Hall (1977) – filme que aqui atendeu pelo tenebroso título Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. São os anos 1950, o que dá oportunidade ao diretor de fotografia italiano Vittorio Storaro esbanjar uma paleta de cores especiais para recriar uma nostalgia emocional e dramática, passando entre amarelos, laranjas, dourados, cinzas e azuis, às vezes na mesma cena.
 
Essas cores mutáveis reforçam a impressão de um cenário teatral, arte que está no centro da inspiração desta história, que tem como narrador, falando diretamente à câmera, o salva-vidas Mickey (Justin Timberlake). Ele é também um aspirante a dramaturgo, que se encarrega de contar o drama do qual é também participante e que extrai seu clima desesperançado das peças de Eugene O’Neill, uma das referências aqui.
 
A praia, seu calçadão e uma casinha ao lado da roda-gigante são os cenários em que se debatem os personagens de uma família disfuncional: Ginny (Kate Winslet), atriz frustrada que trabalha como garçonete; seu marido Humpty (Jim Belushi), operador da roda-gigante; Carolina (Juno Temple), a filha do primeiro casamento de Humpty; e o garoto Richie (Jack Gore), filho da ligação anterior de Ginny e o personagem mais investido de humor aqui, embora se trate de humor negro, já que o menino é piromaníaco.
 
Fugindo do casamento com um mafioso, Carolina acaba de voltar à casa do pai, temendo por sua vida, já que ela conhece bem demais os crimes do marido e sua gangue. Ela termina trabalhando como garçonete no mesmo restaurante que Ginny, somando mais uma frustração a um ambiente familiar já carregado delas.
 
A nota de esperança para Ginny surge por uma ligação com Mickey, que injeta em sua vida não só sua juventude como sua conexão com o teatro, o mundo em que Ginny imagina que teria perdido a oportunidade de brilhar em passado recente.
 
Personagem mais complexa do elenco, Ginny é esta soma instável entre as amarguras de toda uma vida, ao qual se somam algumas culpas, e também sonhos que decolam rápido demais, em contexto desfavorável. A personagem guarda semelhança evidente com a protagonista viivida por Cate Blanchett em Blue Jasmine (2013), com a diferença que de que Jasmine era divertidamente patética. Nada disso ocorre com Ginny, um denso trabalho de Kate Winslet, de empenho teatral, num filme que evoca um toque de Crimes e Pecados (89) mas não reproduz a grandeza e a densidade daquele trabalho.

Neusa Barbosa


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