Cinquenta tons de liberdade

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Anastasia e Christian Gray finalmente se casam, mas a felicidade deles é ameaçada por Jack Hyde, ex-chefe da garota, que começa a persegui-los.


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Crítica Cineweb

22/01/2018

Cinquenta Tons de Liberdade começa no ponto em que os contos de fadas terminam: no casamento caro e (geralmente) cafona da heroína romântica e ingênua com o trilhardário e vivem felizes para sempre. Mas esse é um conto de fadas sadomasoquista, e as coisas não são exatamente convencionais, embora o filme e a direção de James Foley sejam extremamente convencionais.
 
Com esse longa, chega ao fim uma das piores franquias na história recente do cinema – embora seja uma das mais rentáveis –, protagonizada pelos personagens mais sem graça, em cenários cafonamente luxuosos e ostentadores. Anastasia (Dakota Johnson), cujo nome, não por acaso, ainda lembra a palavra “anestesia”, acredita que com o casamento conseguirá dar mais conforto a Christian Grey (Jamie Dornan) e ajudá-lo a superar seus fantasmas do passado.
 
Como se isso fosse possível. Um dos fantasmas do passado recente do casal, o ex-chefe de Ana (Eric Johnson), não dará trégua a eles. Isso serve como uma desculpa para uma trama policial de suspense moral e previsível – como tudo aqui –, que ajuda a espichar o filme em injustificáveis e inacreditáveis 105 minutos.
 
Não que esse seja o maior problema – a grande questão da série toda está em sua visão de mundo altamente reacionária (especialmente em se tratando da instituição do matrimônio) e na forma como romantiza o abuso – aqui, manifestado de diversas maneiras: físico, emocional, moral, ético... As coisas que acontecem com consentimento no Quarto Vermelho são o de menos, a questão é como Gray sequestra a vida de Ana, colocando um segurança para “protegê-la” em tempo integral, proibindo-a de encontrar seus amigos.E, quando ela reclama disso, ele junta todos num voo particular para passar um final de semana em Aspen. Isso é, no mínimo, doentio, mas na visão da escritora E. L. James e seu marido, que assina o roteiro, Niall Leonard, é fofo.
 
O primeiro filme, de 2015, roteirizado por Kelly Marcel e dirigido por Sam Taylor-Johnson, não era ruim, pelo contrário. Elevava o material original a um patamar que ele nem merecia, ao fazer um retrato da negociação do desejo na era no neoliberalismo e precarização do trabalho contemporâneos. Talvez por sua seriedade não agradou muito aos fãs dos romances, e as duas acabaram substituídas por Leonard e Foley, que fazem um filme bem mais sem graça e destituído de qualquer ambição estética.
 
Dakota, que é uma atriz de talento e versatilidade, é capaz de segurar uma personagem insuportavelmente tola, cujo comportamento é irritante, no mínimo. Quem consegue aguentar um sujeito como Christian Grey, possessivo e arrogante ? Mas, enfim, por Dakota, acreditamos que ela o aguenta. Já Dornan atravessa o filme com a mesma expressão de nada dos outros dois longas – esteja ele feliz, triste, comendo um pedaço de carne, chicoteando Ana, sóbrio ou bêbado.
 
As cenas de sexo – supostamente a razão de ser de toda a série – são enfadonhas e mal filmadas. Elas jamais estão no centro da narrativa, parecem apenas algo casual colocado ali, como poderia estar em qualquer outro momento, para preencher o tempo. Se sexo fosse algo tão sem graça como mostrado nesse filme, a humanidade já teria se extinguido há séculos. Mas há algo bem bom no filme: é o último da série, e o final não deixa pontas soltas para uma eventual continuação. Estamos todos livres, enfim.

Alysson Oliveira


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