A número um

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Sinopse

Emmanuelle é alta executiva da empresa Theores. Um dia, é contatada por um coletivo feminista, interessado em vê-la disputar a indicação para comandar a principal empresa de energia da França, a Anthea. Ao se dispor a isso, ela enfrenta uma guerra sem tréguas por parte de homens poderosos que têm outros planos.


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Crítica Cineweb

14/02/2018

Atriz e diretora, a francesa Tonie Marshall notabilizou-se por uma obra em que investiga a trajetória feminina no mundo do trabalho. Foi assim em Instituto de Beleza Vênus (99), até aqui seu filme mais famoso e que lhe deu o César de melhor diretora, tornando-a a primeira mulher a receber o mais importante prêmio da França nesta categoria.
 
Em seu mais recente trabalho, A Número Um, ela volta à temática afastando-se do tom intimista de seu filme de 1999 para explorar as práticas impiedosas no mundo das grandes empresas. Nesse espaço em que mulheres em postos de comando não chegam a 10%, ela traça o percurso de Emmanuelle Blachey (Emmanuelle Devos), uma bem-sucedida executiva da empresa Thores, casada e mãe de dois filhos.
 
No dia em que faz uma palestra num Fórum de Mulheres, ela é procurada por Adrienne Postel-Devaux (Francine Bergé), veterana dirigente de uma organização feminista, a Olympe, que atua para maior participação feminina em diversos setores. Seu objetivo agora é lutar pela indicação de uma mulher à frente da gigante nacional de energia, a Anthea.
 
O jogo é pesado, político e, de início, tem que ser travado nos bastidores. Emmanuelle tem que avaliar sua disposição para uma guerra em que literalmente vale tudo, sua vida pessoal incluída. Quando o rival é uma mulher, as armas que se usa são distintas, como bem sabe Jean Beaumel (Richard Berry), um ex-dirigente da Anthea que ainda detém alto poder de manipulação fora dos olhos do público e tem seu próprio candidato para comandar a empresa – evidentemente, um outro homem.
 
Autora do roteiro, ao lado de Raphaelle Bacqué, jornalista do diário Le Monde, e Marion Doussot, a diretora está focada em particularizar como se dá esta batalha para uma mulher com vocação executiva num mundo dominado por homens. Há inteligência bastante no roteiro e na direção para não vitimizar sua protagonista, interpretada com nuances extraordinariamente sutis pela talentosa Emmanuelle Devos.
 
Nem santa nem bruxa, nem apenas profissional, mas também mãe e esposa, ela atravessa os muitos desafios e cobranças no seu caminho, tendo que absorver, assessorada por suas novas aliadas, as particularidades desta jornada peculiar. É notável que o filme também fuja do maniqueísmo, mostrando mulheres capazes de usar, quando se mostra necessário, as mesmas armas que os homens.
 
Emmanuelle Devos alterna dureza e doçura, força e ansiedade, mostrando camadas de uma personagem bastante humana, sem recair nem em sentimentalismo nem implacabilidade excessivos. Conduzida por essa extraordinária atriz, a personagem é capaz de trafegar por inúmeras situações. Eventualmente, neste ambiente, o filme torna-se um pouco árido, mas sua atriz nunca perde a capacidade de encantar.
 
Dentro do grande elenco, destaca-se também a canadense Suzanne Clément (Mommy), interpretando uma das mulheres da Olympe a dar suporte a Emmanuelle. Entre os homens, são impecáveis as duas serpentes no caminho da protagonista, o citado Berry e Benjamin Biolay, como Ronsin, um seu assessor mais do que maquiavélico, mas igualmente capaz de apresentar inúmeras nuances.  
 
É possível, até certo ponto, comparar o filme francês com o alemão Toni Erdmann, da diretora Maren Ade, que igualmente percorre a trajetória de uma executiva, só que desenraizada de sua família e até de seu próprio país, despersonalizada como indivíduo. A número um explora outras direções, mais centradas na própria cultura do mundo corporativo e, ao final, não entrega nenhum Lobo de Wall Street. Emmanuelle nunca deixa de ser humana.

Neusa Barbosa


Trailer


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