Desejo de matar

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Paul Kersey é um médico pacato e pacífico, até o dia em que sua casa é invadida, resultando na morte de sua mulher e no coma de sua filha. Depois disso, resolve que vingará as duas, e se torna um matador cruel.


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Crítica Cineweb

11/04/2018

Quando o primeiro Desejo de matar, dirigido por Michael Winner e protagonizado por Charles Bronson, foi lançado em 1974, estabeleceu uma espécie de sub-gênero, algo como “Papai é de morte”, o que levou a ser copiado à exaustão. Mais recentemente, o irlandês Liam Neeson tomou o paradigma para si e protagonizou uma porção de longas nos quais um homem de meia-idade e herói improvável salva o dia – embora ele não precise ser tão violento quanto o personagem de Bronson. Por isso, o “remake” de Desejo de matar, assinado por Eli Roth, soa, no mínimo, oportunista se apropriando do título e fazendo algo genérico com um homem, no caso Bruce Willis, com uma arma na mão matando vilões.
 
A história – creditada novamente ao romance de Brian Garfield, com roteiro assinado por Joe Carnahan – é basicamente a mesma com algumas adaptações para o século XXI. Willis é Paul Kersey, um médico renomado em Chicago, onde vive uma vida de sonho com a mulher, Lucy (Elisabeth Shue), e a filha, Jordan (Camila Morrone), que acaba de ser aceita numa universidade de prestigio e deixará a casa dos pais. O filme passa um bom tempo deixando claro como essa vida é perfeita e como o protagonista é pacífico (não dá bola para provocações de um sujeito irritado num jogo de futebol), pai, marido e profissional dedicado.
 
Na noite do seu aniversário, quando estão todos saindo para jantar, ele recebe um chamado, precisa correr para o hospital e fazer uma cirurgia. Sua mulher e filha, em sua casa dos sonhos, não ficam frustradas, e resolvem fazer um bolo para o receber. Antes mesmo de ligar a batedeira, a casa é invadida por uma gangue, e o resultado é a mulher morta e a filha em coma.
 
Kersey, que está no hospital quando elas chegam, reage de forma improvável. Tudo bem que Willis é um ator limitado, dono de, no máximo, duas expressões faciais, mas gritar, berrar, chutar e esmurrar tudo, qualquer um faria. O que ele faz, no entanto, a princípio, sem muita convicção, e, depois, com toda certeza do mundo é caçar e matar um a um os assassinos de sua mulher, enquanto a filha continua em coma.
 
Aí, se até então não o era, Desejo de matar se torna genérico e reacionário com seu exército de um homem só tomando em suas mãos o dever do estado, de apreender, julgar e condenar – ele já executa sem qualquer protelamento. O filme funciona como uma propagada a favor do porte de armas, e logo começa jogando na tela informações de um nível de violência alarmante em Chicago, justificando sua ação, e tudo só é controlado quando Willis toma uma arma nas mãos e atira em todos que acha ruins.
 
Os caminhos do roteiro – desde as ações e reações dos personagens – são ora implausíveis, ora risíveis – seja como o personagem de Willis consegue sua primeira arma, ou como descobre um a um os homens que invadiram sua casa. Roth e Carnahan têm todo um esforço para disfarçar a propaganda do filme, e isso nunca funciona. Seria muito mais honesto, e até respeitável, se assumisse-se como um comercial a favor do armamento.
 
No filme original, Bronson era um arquiteto liberal – e as pessoas compraram essa ideia! – que, depois de encontrar a mulher assassinada, e a filha estuprada percebe que não conseguirá nada por meio do sistema de justiça. O matador em que se transforma, no entanto, não tem nada de espetacularizado como o de Willis. Os tempos mudaram, e na Era Trump, Desejo de matar é incapaz de traduzir em si qualquer debate ou paradoxo do presente, seu desejo é de fazer o sangue jorrar – o que não é de se surpreender dada a filmografia do diretor – transformando o antigo filme protagonizado por Bronson numa espécie de meditação filosófica sobre o papel da justiça e a arma enquanto fetiche – ele mesmo diz que freudianamente o revolver é uma extensão do seu pênis.

Alysson Oliveira


Trailer


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