O processo

Ficha técnica

  • Nome: O processo
  • Nome Original: O processo
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Holanda
  • Ano de produção: 2018
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 130 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Maria Augusta Ramos
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

Os bastidores do impeachment da presidente Dilma Roussef, em 2016, são disssecados neste documentário, que começa na sessão da Câmara dos Deputados que admitiu o procedimento e acompanha os meandros das sessões do Senado e das reuniões dos defensores da chefe do Executivo.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

18/04/2018

Num cinema como o brasileiro, que atingiu uma excelência no documentário simbolizada pela presença de um mestre de reconhecimento internacional como Eduardo Coutinho (1933-2014), a cineasta Maria Augusta Ramos encontrou seu lugar na escavação das camadas que recobrem instituições como o Judiciário – que ela desbravou em documentários afiados como Justiça (2004) e Juízo (2013).
 
Novamente ela exerce essa sua marca característica no mais ambicioso O Processo, que investiga os meandros de um dos momentos mais dramáticos da história recente do País – o impeachment da presidenta Dilma Roussef, em 2016. Mais uma vez sem valer-se de entrevistas, Maria Augusta instala-se com sua câmera no coração do drama, em Brasília, acompanhando momentos seletos, a partir da sessão do Congresso que definiu a admissibilidade do processo contra a presidenta.
 
Colocando um espelho, por assim dizer, diante dos participantes desses episódios, a cineasta joga seus espectadores no centro dos acontecimentos – uma experiência atordoante, diante dos sentimentos despertados, ainda mais agora, que os resultados daqueles fatos cristalizaram-se com mais clareza.
 
Comportando-se como se estivesse invisível, Maria Augusta capta a exasperação crescente das reuniões do Senado, nas discussões sobre o impeachment, e os naturais embates entre os defensores e adversários da presidenta. Também é admitida nas reuniões fechadas de seus apoiadores, de seu próprio partido, como Gleisi Hoffman e Lindenberg Farias, e aliados, como Vanessa Graziottin, traduzindo os esforços insistentes, embora cada vez mais desesperançados, do time que procurava manter no posto a presidenta eleita, acusada de crime de caracterização duvidosa, o que levou tantos a considerarem a operação um golpe parlamentar.
 
Entre os personagens incontornáveis daqueles dias, surge a advogada e professora Janaina Paschoal, na maior parte das vezes em momentos fora do plenário – como quando conversa com um grupo de evangélicos anti-aborto. Alguns poderão considerar que estes instantâneos de Janaina tenham pouco a ver com o processo do qual ela participou, como uma das autoras do pedido de impeachment. Mas é notável como estas cenas fazem pensar como uma pessoa tão excêntrica possa ter sido levada a sério num momento tão grave da vida nacional como aquele.
 
A aridez dos rituais legislativos de então traduzem, da mesma foram, o quanto a forma pôde, naquela fase frenética, impor-se sobre o conteúdo de forma tão visceral, fabricando a narrativa que se procurava construir, de que se tratava de um processo legítimo, procurando encobrir os muitos furos de sua sustentação.
 
Mesmo contando com mais de duas horas de duração, O Processo não poderá, como filme algum poderia, dar conta de tudo o que se passou no país conflagrado daqueles dias – e que não se pacificou jamais após o fim do impeachment, uma das falácias alegadas por seus defensores. O filme dá, certamente, elementos para uma reflexão maior sobre os tempos que retrata, lançando luz sobre os resultados sentidos hoje, quando o País se encontra ainda mais polarizado, fragmentado e exposto a uma crise sem trégua.

Neusa Barbosa


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