Ferrugem

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Tati é uma adolescente normal, que divide seu cotidiano entre a escola, as amigas e as redes sociais. Quando um vídeo íntimo dela é vazado, ela enfrenta um inferno pessoal com o qual cada vez menos tem forças para lidar.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

01/08/2018

Vencedor de três prêmios no Festival de Gramado 2018, inclusive o de melhor filme, o drama Ferrugem, de Aly Muritiba, tematiza muitas questões contemporâneas na mesma história, centrada num grupo de adolescentes em Curitiba.
 
Dividida em duas partes, a narrativa focaliza o universo desses jovens, movidos pelo contato permanente com as redes sociais. Na primeira parte, a história se fecha num circuito quase claustrofóbico, entre casa, escola e uma eventual excursão escolar, tudo mediado pelo celular que não sai das mãos de Tati (Tiffany Dopke), René (Giovanni De Lorenzi) e Edu (Pedro Inoue).
 
Tudo parece muito normal nesse cotidiano embalado pelos namoros que começam e acabam. Mas, quando Tati perde o celular, vai perceber que o prejuízo é muito maior. No dia seguinte, quando chega à escola, descobre que foi vazado um vídeo íntimo seu, o que deflagra o inferno do bullying e do linchamento virtual.
Se as ferramentas – o celular, as redes sociais, a internet – são modernas, a crueldade e o julgamento moralista são velhos como a humanidade, apesar da pouca idade dos envolvidos. Tati experimenta o desprezo, o esculacho, a solidão, sem saber como lidar com a pressão que desaba sobre ela. Há poucas opções de defesa e ela ainda tem contra si o medo de que os pais descubram.
 
O roteiro, construído por Muritiba e Jessica Candal, inteligentemente não cria uma grande expectativa sobre o culpado pelo vazamento do vídeo. O que interessa mais, sobretudo na segunda parte, é o que acontece a partir da culpa, do inevitável confronto com a responsabilidade que recai sobre dois garotos, que têm reações completamente opostas diante do turbilhão causado por seus atos.
 
Como no longa de estreia do diretor, o também premiado Para Minha Amada Morta (2016), uma imagem acende a faísca que dá início ao desmoronamento da estabilidade, da identidade e das crenças que as sustentavam. E, se este novo filme aborda, novamente com grande precisão, a dificuldade de comunicação masculina – encarnada pelo jovem René e seu pai, Davi (Enrique Díaz) -, há um grande ganho em relação às figuras femininas. Tati e Raquel (Clarissa Kest), a mãe de René, ex-mulher de Davi, carregam o peso do julgamento social, que as expõe, e têm reações que são decisivas para desmontar a rede construída por homens que tentam proteger-se pelo silêncio.
 
É sintomática igualmente a escolha feita pela direção, num filme que fala de bullying virtual e porn revenge, de não expor explicitamente imagens de dois acontecimentos cruciais dentro da trama – um deles, o vídeo que desencadeia o drama de Tati. Ao fazer isso, aposta na inteligência do espectador para preencher as lacunas e não reincide na tendência atual da super-exposição. Falando da corrosão moral que começa a comprometer cada vez mais cedo mentes jovens num mundo em que tudo é público e compartilhado em escala mundial e imediata, sem ser perfeito ou pretender esgotar o tema, Ferrugem toca de perto no coração selvagem do nosso tempo voraz.

Neusa Barbosa


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