Onde está você, João Gilberto?

Ficha técnica

  • Nome: Onde está você, João Gilberto?
  • Nome Original: Where are you, João Gilberto?
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Suíça
  • Ano de produção: 2018
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 117 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Georges Gachot
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

Neste documentário, Georges Gachot, que já assinou filmes sobre Maria Bethânia e Nana Caymmi, sai em busca do cantor e compositor João Gilberto. Como tem dificuldades de encontrá-lo, entrevista pessoas próximas e personagens que têm histórias curiosas para contar sobre ele. Ao mesmo tempo, resgata os bastidores de outra pesquisa feita sobre Gilberto, do jornalista alemão Marc Fischer, autor de um livro sobre ele.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

16/08/2018

Autor de documentários sobre o samba e as cantoras brasileiras Maria Bethânia e Nana Caymmi, o cineasta francês Georges Gachot estrutura seu novo filme Onde está você, João Gilberto? sobre duas ausências. Não só a do artista quanto a de Marc Fischer, jornalista alemão autor de um livro sobre ele, Ho-ba-la-lá – À Procura de João Gilberto.
 
É assumidamente sobre os passos de Fischer que Gachot caminha, na caça a este sempre inacessível João Gilberto. O cantor e compositor baiano, pai da Bossa Nova, percorre o filme como um fantasma, através de fotos, imagens, canções, nunca em carne e osso. É delineado por depoimentos de algumas pessoas muito próximas – caso de Miúcha, sua ex-mulher, João Donato, ex-parceiro, e Otávio Terceiro, seu empresário.
 
Outros personagens estão no filme para contar episódios curiosos, como estes que não faltam na biografia de João Gilberto e alimentam sua lenda – caso de Marcos Valle, que conta sua única e incrível conversa com João pelo telefone; pessoas que conviveram com ele num período passado em Diamantina (MG); o garçom de um restaurante que prepara um famoso filé, sempre o mesmo, que João costuma pedir para lhe entregar (e o entregador jamais o vê); ou o cabeleireiro que já cortou seu cabelo e descreve o ritual para ter acesso a ele, sempre por iniciativa do cantor.
 
Roberto Menescal, por sua vez, dá a pista sobre uma suposta “maldição” em torno de João Gilberto, que também estrutura narrativamente a trajetória paralela de Marc Fischer – que, tanto quanto Gachot, tentou em vão um contato direto com o arredio pai da Bossa Nova, e acabou morrendo, aos 40 anos, meses antes do lançamento de seu livro sobre ele.
 
Por esta opção pelo paralelismo na busca a um objeto inacessível, embora sempre próximo, este é, possivelmente, o documentário mais maduro de Gachot, o menos benevolente, ao admitir as inescapáveis arestas de seu personagem, as próprias hesitações e frustrações no seu encalço e os bastidores do trabalho de Fischer, descobertas fascinantes em si mesmas.
 
Certamente, não é aquele tipo de documentário “tudo o que você queria saber sobre João Gilberto”, conforme se pode adivinhar desde o título. Em vários momentos, dá-se conta de episódios centrais na carreira do icônico compositor, como não poderia deixar de ser. Mas, ironicamente, o filme cresce em densidade nesta sua admissão de não ter encontrado tudo o que procurava, ainda que tenha tirado partido de tudo o que, finalmente, revelou.

Neusa Barbosa


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