Missão 115

Ficha técnica

  • Nome: Missão 115
  • Nome Original: Missão 115
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2018
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 87 min
  • Classificação: 10 anos
  • Direção: Sílvio Da-Rin
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

Documentário resgata os bastidores do episódio do Riocentro, em 1981, reunindo novas informações e imagens do show, onde fora planejado um atentado, organizado pelo Exército, polícia e serviço secreto do governo militar.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

16/08/2018

Documentarista com assinatura em filmes políticos, caso de Hércules 56 e Paralelo 10, Silvio Da-Rin retoma a vertente em Missão 115 – talvez o mais ambicioso de sua carreira, já que explora um dos episódios mais aterradores da história do Brasil, a tentativa de atentado no Riocentro, em 1981.
 
Dois militares, o sargento Guilherme Pereira do Rosário e o capitão Wilson Machado, que estavam num Puma no estacionamento do local, foram as únicas vítimas da explosão de uma bomba – que detonou no colo do sargento, matando-o, e ferindo o capitão. Mas a bomba tinha outros alvos – o público que lotava o show do 1º de Maio, que alcançava 18.000 pessoas, e tinha vindo ver artistas como Clara Nunes, Gal Costa, João Nogueira, Gonzaguinha e o pai, Luiz Gonzaga, homenageado da noite, cuja direção artística era de Chico Buarque de Holanda e Fernando Peixoto.
 
O episódio, até hoje não completamente esclarecido, teve sua origem no “Grupo Secreto”, um núcleo de militares da linha dura, que resistia à gradual abertura do regime militar instaurado em 1964. Visando a um retrocesso, o grupo organizava, naquele início dos anos 1980, um ano depois da Anistia, uma série de atentados a bomba, atingindo bancas de jornal e também a sede carioca da OAB – em que foi morta a secretária, dona Lyda Monteiro, e ferido um outro funcionário, José Ribamar Freitas.
 
O atentado do Riocentro seria muito maior, mais espetacular, já que provocaria mais vítimas – disso tinham se encarregado seus organizadores, o Exército, a Polícia Civil do Rio e o SNI, conforme comprovaram diversos documentos, hoje incluídos no relatório final da Comissão da Verdade, concluído em 2014. Um exemplo: haviam sido trancadas todas as saídas de emergência do Riocentro e o coronel Newton Cerqueira, comandante da PM carioca, havia mandado desmobilizar as equipes de segurança e de atendimento médico de emergência do evento.
 
Muitos destes detalhes escabrosos já são de conhecimento público e integram livros até de um dos participantes-chave, o policial Cláudio Guerra, Memórias de uma guerra suja. Guerra era figura central da operação, intitulada justamente “Missão 115”, como encarregado de prender militantes de grupos de esquerda, a quem seria atribuído o atentado. Um dos mais notórios personagens daqueles dias sombrios vividos no Brasil, Guerra apareceu em dois documentários de Beth Formaggini, Uma Família Ilustre e Pastor Cláudio, em que confessa ter participado de mortes, ocultamento de cadáveres de opositores ao regime militar e preparação de atentados – todos crimes cobertos pela Lei da Anistia de 1979, um dos aspectos que o filme de Da-Rin se propõe também a questionar.
 
Um dos grandes trunfos deste documentário está em dispor da gravação integral do show de 1981, realizada pela rede Bandeirantes, mostrando imagens até agora inéditas. Outro mérito é relacionar diversos fatos esparsos, no longo período coberto, entre 1981 e hoje, quando há quem discuta uma militarização e mesmo uma fascistização do Brasil. Silvio Da-Rin, com seu eficiente documentário, fornece inúmeras pistas e elementos de reflexão, sobre aqueles velhos crimes cuja impunidade envenena nossa combalida democracia.

Neusa Barbosa


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