Yonlu

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Vinicius tem 16 anos e uma mente repleta de criatividade. Cria músicas, desenhos e compartilha com amigos na internet. Ele também sofre de depressão e é no mundo virtual que encontra pessoas que sugerem maneiras de cometer suicídio.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

16/08/2018

O cineasta Hique Montanari tinha em mãos um material delicado e rico quando fez o filme Yonlu, sobre a vida e o suicídio aos 16 anos do gaúcho Vinícius Gageiro Marques, que, em 2006, se matou seguindo sugestões de um fórum da internet. O roteiro, escrito pelo diretor, tenta dar conta da história valendo-se de diversos recursos e aproveitando as canções e ilustrações do próprio Vinícius. O filme ganhou o prêmio da Associação Brasileira de Críticos de Cinema, Abraccine, na Mostra de São Paulo de 2017.
 
Como parte de um caso largamente noticiado quando aconteceu, a narrativa toda acontece sob o véu da melancolia e da impotência – o que não quer dizer que Montanari não tenha procurado uma maneira de celebrar a vida e a arte de Yonlu, apelido adotado por Vinícius. O filme transita entre a trajetória do garoto e um longo depoimento de seu psicanalista – interpretado por Nelson Diniz –, publicado em 2009, na revista Época. O diálogo entre os dois tipos de cenas nem sempre é orgânico no filme, e o médico serve como uma espécie de explicação para alguns momentos da narrativa – recurso talvez inevitável para cobrir algumas lacunas.
 
Interpretado por Thalles Cabral, o protagonista é um jovem repleto de talento e melancolia. A internet surge como sua forma de contato com o mundo – para o qual apresenta sua produção artística, tendo amigos em diversos cantos do mundo. O fato de ser fluente em cinco idiomas ajudava nisso.
 
No plano formal, Yonlu tenta, valendo-se de diversos artifícios, dar conta da mente criativa de Vinicius e da fragmentação de seu estado emocional. O recurso de usar a própria produção do rapaz – músicas, desenhos – é uma lembrança e um documento do artista talentoso que estava desabrochando.
 
Montanari está consciente de que está lidando com assuntos delicados, como saúde mental e suicídio. Por isso, trata-os de maneira respeitosa e, em certos momentos, até de forma didática, o que talvez realmente seja necessário para que o público compreenda o protagonista, sem cair numa psicologização barata. O maior acerto do roteiro é em sua estrutura que, mesmo sabendo que o filme irá culminar no suicídio de Vinícius, este não é o motivo de existir da trama – ou seja, não existe para justificar ou entender o que aconteceu, mas para acompanhar uma jornada repleta de melancolia e pulsão criativa. Mais do que qualquer coisa, Yonlu é um filme necessário, que alimenta uma discussão importante. 

Alysson Oliveira


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