Marvin

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Marvin é um garoto delicado, filho de uma família rude, no interior da França. Na escola, ele sofre bullying dos valentões e, em casa, ninguém lhe presta atenção. Um dia, uma nova diretora da escola o apresenta ao teatro e sua vida começa a tomar um novo rumo.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

23/08/2018

A premiada atriz e diretora francesa Anne Fontaine realiza, em Marvin, uma investigação sensível em torno da conquista de identidade em circunstâncias adversas. Conta, para isso, com a interpretação empenhada de seu protagonista, vivido na juventude pelo inglês Finnegan Oldfield e na infância pelo cativante – não raro, comovente – Jules Porier.
 
Desde garoto, Marvin Bijou destoa da família camponesa e rude. Os pais (Grégory Gadebois e Catherine Salée), aliás, parecem mal prestar atenção nele, no meio de uma casa caótica, com outras crianças e uma desordem permanente. Marvin é um garoto delicado, que na escola atrai a agressividade dos bullies, que o submetem a toda forma de violência por conta de sua suposta aparência homossexual. Na verdade, Marvin sequer definiu ainda uma identidade sexual e já começa a ser reprimido, sem ter clima para contar aos pais ou ao irmão mais velho o que lhe acontece. Em casa, ninguém estranha nada, mesmo quando ele aparece com marcas no rosto ou começa a faltar na escola.
 
A mudança de diretor faz uma diferença inesperada, aliada ao acaso. Num dia em que Marvin está zanzando pelos corredores, a nova diretora, Madeleine Clément (Catherine Mouchet), prontamente o encaminha para uma nova atividade: o teatro. E ali o menino começa a descobrir uma forma de encenar seus dramas e colocar para fora emoções represadas.
 
Nada disso, é claro, interessa à sua família. Nem mesmo quando ele consegue uma vaga numa disputada escola de teatro – aliás, praticamente o boicotam, não a ponto de impedir, no entanto, que ele tome este novo rumo.
O teatro, no entanto, não é uma salvação por si mesmo. Marvin continua tendo que lidar com uma homossexualidade que ele não compreende nem aceita bem, dependendo, para isso, de outro encontro definidor, desta vez com um professor de teatro, Abel Pinto (Vincent Macaigne). Este é outro anjo protetor numa trajetória espantosamente solitária, que em vários momentos ronda a tragédia.
 
Diretora experimentada com dramas como Agnus Dei (2016), Gemma Bovery (2014) e Coco Antes de Chanel (2009), além de co-roteirista aqui (ao lado de Pierre Trividic), ela arrisca-se aqui a um perfil de personagem não-feminino, contando especialmente com a expressão do rosto e do corpo do carismático Oldfield para compor sua saga.
 
Uma presença notável no elenco é Isabelle Huppert, que comparece no próprio papel, como outro encontro luminoso na vida de Marvin, quando ele finalmente decola no sentido de assumir sua nova identidade – tanto no novo nome (Martin Clément) quanto na composição de um espetáculo teatral em que desnuda sua vida familiar, o que, compreensivelmente, abre um novo front de conflitos e incompreensões.
 
Neste solitário e nada simples esforço para simplesmente existir, Marvin/Martin afirma uma individualidade que tem que ir à guerra nos menores detalhes para não ser submetida ou apagada. Não que o filme em si detone a ideia de família; somente contextualiza a incompreensão e brutalidade aqui presentes diante do esforço de uma pessoa determinada para superá-los, ajudada por alguns indispensáveis protetores ao longo do caminho. Ainda assim, é inevitável pensar em quantos Marvin/Martin não têm a mesma sorte.

Neusa Barbosa


Trailer


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