Buscando...

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Quando a filha de David desaparece, as únicas pistas com que pode contar são aquelas que encontra nas redes sociais da menina. Cada descoberta é uma surpresa, e ele percebe que não conhecia a garota tão bem quanto acreditava.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

10/09/2018

O tema da criança desaparecida é um dos favoritos do cinema, com uma resolução que pode apontar até para um familiar ou alienígenas. Buscando..., filme de estreia de Aneesh Chaganty, injeta um novo fôlego no gênero: os mais de 100 minutos de trama são contados em telas de computador. É uma decisão ousada e arriscada, mas tecnicamente bem executada e funciona na maior parte do tempo. Redes sociais e afins, como forma de contar uma história, parecem vir substituir as “fitas encontradas”, como A bruxa de Blair e Atividade paranormal.
 
O protagonista é o viúvo David Kim (o excelente John Cho), que tem uma relação bem próxima com sua filha adolescente, Margot (Michelle La). Eles se comunicam várias vezes ao longo do dia, por isso estranha quando ela não responde suas mensagens, nem atende ao telefone. Encontrar o notebook dela esquecido na cozinha é uma pista inquietante.
 
David está constantemente em frente ao seu computador e com algum dispositivo de comunicação ligado – geralmente a câmera. É por aí que o acompanhamos. O longa começa com uma montagem seguindo os primeiros anos da vida de Margot, que sonha em ser pianista, e também a doença de sua mãe (Sara Sohn) – tudo isso na tela de computadores, seguindo a evolução especialmente visual do Windows.
 
O desaparecimento da menina coloca uma questão para David: o quanto ele a conhecia? Ele sequer sabia o nome de uma amiga ou amigo dela. Também não sabia que tinha uma conta no Tumblr – nem Tumblr ele sabia o que é, e isso mostra como as gerações, por mais conectadas, se relacionam de maneira diferente com as redes sociais. Quando a detetive Vick (Debra Messing) é designada para o caso, a primeira coisa que ele faz é verificar o perfil dela no Facebook - e fica mais confiante ao ver que em sua foto de perfil está na companhia do filho, também adolescente, dizendo o quanto a maternidade é importante para ela.
 
Chaganty, que já trabalhou no Google, co-escreveu o roteiro com Sev Ohanian, e parece conhecer bem o assunto. Nossa vida virtual, mais do que deixar migalhas, deixa rastros de pães inteiros sem nos darmos conta disso. Melhor para David, pois é a única maneira de que dispõe para investigar o paradeiro de Margot.
 
Boa parte do filme é narrada do ponto de vista dele, de seu computador ou do de Margot, que ele usa para descobrir seus amigos de Facebook e afins. Há também vídeos de noticias do Youtube e câmeras de segurança. Mas nem sempre fica claro quem está no comando. Na cena mais crucial do filme, não fica  evidente quem está assistindo à transmissão. São momentos e subterfúgios que mostram que essa forma de narrar não foi tão bem resolvida ainda.
 
De qualquer forma, é preciso dar crédito aos montadores do filme, Nick Johnson e Will Merrick, cujo trabalho insano consistiu em criar do zero ambientes virtuais plausíveis – usando o design dos sites reais – e inserir as imagens filmadas dos personagens. Ainda assim, a certa altura, Buscando... torna-se um suspense convencional, contado de uma maneira nova, capaz de captar o presente com precisão.
 
Assim que se torna notícia, o desaparecimento de Margot viraliza e surge até uma hashtag. Garotas que a esnobavam na escola gravam vídeos repletos de lágrimas e hipocrisia dizendo o quanto estão abaladas com o sumiço de sua melhor amiga. O tribunal popular da internet logo se manifesta, condenando o pai, a desaparecida e qualquer outra pessoa envolvida no caso. Juízes e juízas com seus martelos prontos para dar o veredito – mas sempre de “culpado”. 

Alysson Oliveira


Trailer


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