Coração de cowboy

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Locais de filmagem


Sinopse

Lucca é um cantor sertanejo de sucesso, mas cansado de sempre atender apenas às demandas do mercado. Por isso, ele quer dar um novo rumo à sua carreira. Ele se refugia em sua antiga cidade, onde pretende fazer as pazes com o pai e acaba encontrando um novo amor.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

12/09/2018

Dada a popularidade da música sertaneja no Brasil, é surpreendente que existam tão poucos filmes sobre o assunto – entre eles estão, mais recentemente, o grande sucesso Dois filhos de Francisco (2005), de Breno Silveira, O menino da porteira (1976 e 2009), de Jeremias Moreira Filho, e o famoso A estrada da vida (1980), de Nelson Pereira dos Santos, que conta a história da dupla Milionário e José Rico. Coração de cowboy, de Gui Pereira, surge para cobrir uma lacuna de um público órfão de se ver no cinema – a televisão com suas telenovelas sabe melhor como capitalizar esse assunto. A façanha do longa do diretor estreante é, mesmo se não conseguir extrapolar e ir além de seu público-alvo, um trabalho de qualidade técnica e sensibilidade.
 
A grata surpresa aqui é que ao centro está a música sertaneja, mas não a versão contemporânea pegajosa e rapidamente descartável, mas aquela de raiz, aquela em que o homem do campo fala sobre suas dores e alegrias – eventualmente, mas não exclusivamente, amorosas. Lucca (Gabriel Sater) é o protagonista que vive nesse dilema. Ele é um cantor de sucesso e seu hit atual é uma música grudenta sobre um romance no Guarujá. O rapaz até tenta, ele quer redirecionar sua carreira, retomar suas raízes, mas sua empresária (Françoise Forton) tem outros planos - ela “conhece as tendências que dão dinheiro,” diz.
 
Na primeira parte do filme, conhecemos Lucca como é hoje, o cantor de sucesso, cercado de garotas, mas infeliz com sua vida e carreira – especialmente com o que canta. Além desse descontentamento, alguns incidentes acabam levando-o de volta para sua cidadezinha de onde saiu há anos, após a morte do irmão, quando ainda eram crianças. Ele se culpa por isso, e o pai, Joaquim (Jackson Antunes), também o culpa. Os dois têm uma relação distante e estremecida.
 
A trama, com roteiro assinado por Pereira, Lara Horton e Jonathan London, segue mais ou menos a jornada de redenção do personagem. Seu grande conflito, além de carregar em seus ombros o peso da morte do irmão, está entre tocar o sertanejo-raiz e a vertente contemporânea que descaracterizou o gênero. Coração de cowboy poderia  facilmente render-se ao tipo de música que faz sucesso hoje, mas sua posição é quase missionária em defender a música de raiz. Há uma cena, num programa de televisão,  excessivamente didática, mostrando isso no início do filme, que pode assustar pelo seu exagero mas, aos poucos, o diretor coloca o longa nos trilhos.
 
Na cidade, o protagonista reencontra sua antiga companheira do trio que fazia com o irmão, Marcele (Thaís Pacholek), que está casada com um caminhoneiro (Guile Branco), é mãe de uma menina, e abandonou completamente sua carreira artística, embora, às vezes, escreva algumas músicas. Quando se imagina que ela se tornará o interesse romântico do protagonista, o filme surpreende e coloca em cena Paula (Thaila Ayala), dona do bar do local, onde Lucca, seu irmão e a amiga se apresentavam quando crianças.
 
Coração de cowboy é sincero e honesto em suas ambições, embora seja um pouco mais logo do que precisava. É um filme para agradar ao público que ouve Chitãozinho e Xororó (cujas músicas inspiraram o roteiro) e afins, e é ousado, em certa medida, ao criticar os caminhos que o gênero sertanejo tomou, pregando um retorno à raiz. Isso tudo funciona, em boa parte, por que Sater faz seu papel com carisma e sinceridade, comprando a causa como se fosse sua – e, no fundo, talvez realmente o seja. 

Alysson Oliveira


Trailer


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