Um pequeno favor

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Stephanie é uma mãe viúva e vlogueira. Sua vida não tem muitas alegrias, mas ela se satisfaz sendo legal com as pessoas. Até que sua melhor amiga desaparece e ela, por conta própria, investiga o sumiço.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

12/09/2018

Stephanie (Anna Kendrick) ajusta a câmera e começa com sua saudação já clássica à meia-dúzia de gatos pingados que segue seu vlog: “Olá, mamães...”. Mas o assunto do vídeo de hoje não tem nada a ver com lancheira para a escola, nem decoração. Sua melhor – na verdade, única – amiga, Emily (Blake Lively), está desaparecida. Assim começa Um pequeno favor, dirigido por Paul Feig (Operação madrinha de casamento), que depois disso volta no tempo para contar sobre a amizade das duas e o desaparecimento.
 
Com as aspirações neo-noir – ou noir-pastel, a quem preferir –, o longa transita entre a comédia e o policial, buscando inspiração nas origens mais improváveis, como Pacto de Sangue, A Aventura, Um corpo que cai, entre outros. Se tudo funciona – ao menos em boa parte do tempo – é por conta das presenças de Kendrick e Lively. Seria muito fácil conceder a cada uma das duas os elementos de comédia e mistério, respectivamente, mas elas conseguem ir além disso.
 
Stephanie e Emily se tornam amigas porque seus filhos pequenos – Miles (Joshua Satine) e Nick (Ian Ho), respectivamente – querem passar a tarde brincando. As duas não poderiam ser mais diferentes: a vlogueira é viúva, hiperativa e solitária. Sua nova amiga, uma relações públicas chique e rica que mora no subúrbio, mas trabalha na cidade. Na sala de sua casa há uma pintura levemente surrealista de um nu frontal seu. Nos alto- falantes espalhados pela sala, sempre toca música francesa pop dos anos 60 e 70 - Serge Gainsbourg é uma constante. Estranhamente, elas se conectam e dividem diversos finais de tarde regados a martinis e confidências. “Segredos,” conta Stephanie, “como dizia minha mãe, são como margarina, fáceis de espalhar, mas ruins para o coração.”
 
O desaparecimento de Emily começa com ela ligando para a amiga e pedindo, nas palavras dela, “um pequeno favor”: tomar conta de Nick enquanto ela não sai do trabalho, já que seu marido, um escritor de único livro e professor, Sean (Henry Golding), está em Londres cuidando da mãe. Stephanie não hesita, mas também estranha a demora da outra em pegar o filho.
 
Polícia e investigadores entram em cena e Stephanie começa a cuidar de Sean e do pequeno Nick, enquanto investiga o desaparecimento de Emily. Sem entregar muito, mas, como é de se esperar, as resoluções não são bem como se espera e reviravoltas surgem. Roteirizado por Jessica Sharzer – a partir do romance homônimo de Darcey Bell –, o filme ameaça ir para um terreno Garota exemplar, mas apenas ameaça, infelizmente. Muito teria a se ganhar se Um pequeno favor enveredasse por um tom mais sombrio, mas não é o caso, embora jogue, a seu favor, com os clichês do gênero.
 
Clichês propositais também não faltam no seu retrato da amizade feminina. O que há de tão assustador para um mundo tão patriarcal como o nosso que a simples amizade entre duas mulheres precise se degringolar para algo minimamente tóxico. De Persona e As diabólicas (nominalmente citado aqui) a Meninas malvadas (que, aliás, ganha uma piscadela perto do final), passando por Thelma & Louise e Almas gêmeas, entre tantos. Aqui não é diferente, mas o tratamento do filme usa a toxidade em seu favor. Nem tudo é muito bem resolvido em Um pequeno favor – sua conclusão parece apressada e não muito convincente, mas não a ponto de estragar o que se viu até então.

Alysson Oliveira


Trailer


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