10 segundos para vencer

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Locais de filmagem


Sinopse

Ligada ao boxe, a família Jofre tem no pai, Kid, um ex-lutador e dirigente de uma academia e em Zumbano, seu cunhado, uma promessa de campeão. Mas o grande astro da família será mesmo Éder, o jovem filho de Kid, que superará inúmeros obstáculos até tornar-se bicampeão mundial.


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Crítica Cineweb

21/09/2018

Entre os muitos herois do esporte brasileiro não suficientemente celebrados pelo cinema nacional está o boxeador paulistano Éder Jofre, bicampeão mundial em duas categorias, em 1966 e 1973. A lacuna começa a ser preenchida pelo drama 10 segundos para vencer, de José Alvarenga Jr., duplamente premiado no Festival de Gramado nas categorias ator (Osmar Prado) e ator coadjuvante (Ricardo Gelli).
 
Diretor com larga experiência em televisão e comédias como Divã (2009) e Os Normais (2003), Alvarenga Jr. desincumbe-se bem da tarefa de compor uma cinebiografia envolvente em torno de Éder (interpretado desde a adolescência por um sempre atlético Daniel Oliveira). Entre os méritos do filme na composição de época está a fotografia de Lula Carvalho.
 
O roteiro, assinado por Thomas Stavros, Patrícia Andrade, Márcio Alemão e o próprio diretor, coloca ênfase no ambiente familiar que é fundamental à trajetória de seu protagonista. Na humilde casa da família Jofre, no bairro do Peruche, São Paulo, tudo gira em torno do boxe, com o pai, Kid (Osmar Prado), um ex-lutador argentino comandando a pequena academia que lhe dá sustento, e o tio, Zumbano (Ricardo Gelli), ainda lutando.
 
Quando a carreira de Zumbano é abortada, Kid pensa no filho, que mostra talento no ringue. Mas Éder pensa em outras coisas – adora desenhar e sonha com a arquitetura. Quando consegue uma vaga no Liceu de Artes e Ofícios e pensa numa carreira em design industrial, parece que o boxe saiu definitivamente de sua vida, para desgosto de Kid. Mas a doença repentina do irmão mais novo, Doga (Ravel Andrade), conduz a uma reviravolta. Para ganhar um dinheiro que contribua para o caro tratamento do irmão, Éder se dispõe a voltar a lutar, treinando arduamente com um pai que não lhe dá nenhuma folga.
 
A relação tensa entre pai e filho ocupa o centro do filme, consolidando um retrato de ambiente convincente, com duas atuações impecáveis. Neste duelo cheio de conflitos e idas e vindas, estrutura-se a carreira ascendente do bicampeão, que levará o nome do Brasil a brilhar no exterior, com seus dois títulos mundiais, em 1966, na categoria peso galo (o que lhe vale o apelido “Galinho de Ouro”), outro em 1973, na categoria peso pena.
 
Este hiato entre os dois títulos ilustra outro impasse da vida do boxeador. Depois do primeiro, ele desfruta da fama, mas tem problemas familiares, com a mulher, Cida (Keli Freitas), reclamando de sua ausência junto aos filhos pequenos. Finalmente, ele decide abandonar os ringues, abrindo outra crise com seu pai e assim permanece por vários anos. Apenas para sentir de novo a mordida da vocação da família e conseguir uma volta triunfante e uma nova faixa de campeão, aos 37 anos.
 
Na história, justificadamente, ocupa pouco espaço a curta e fracassada passagem de Éder pela televisão – quando se afastou dos ringues pela primeira vez. E nem sequer é mencionada sua vida como político, eleito vereador em 1982. A política só entra de passagem, quando se menciona no filme que o lutador recusou, em 1973, uma tentativa de aproximação com o presidente-ditador, general Emílio Garrastazu Médici, que era seu fã.

Neusa Barbosa


Trailer


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