A fábrica de nada

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Na calada da noite, homens dirigem-se a uma fábrica com caminhões e começam a levar suas máquinas. Surpreendidos por operários, eles partem. Os trabalhadores descobrem que a administração está planejando o desmonte da fábrica e organizam-se para resistir ao desmonte e salvar seus empregos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

21/09/2018

A Fábrica de Nada, quarto longa de Pedro Pinho, é o tipo de cinema de formato inesperado e instigante com que, de vez em quando, o valente cinema português nos brinda. Vencedor do prêmio Fipresci como melhor filme da seção paralela Quinzena dos Realizadores, em Cannes 2017, o filme ao mesmo tempo atrai e desconcerta ao embaralhar gêneros numa narrativa que se estrutura em torno do iminente fechamento de uma fábrica de elevadores em Portugal.
 
Embora eventualmente acompanhe um ou outro personagem, o epicentro do enredo está em situações coletivas. Assim, começa focalizando o modesto apartamento de um dos operários, que dorme com a mulher, apenas para que depois este seja chamado com urgência à fábrica, ainda na madrugada. Lá desenrolou-se um dramático conflito entre operários e alguns homens desconhecidos que embarcavam em caminhões os equipamentos da fábrica.
 
Impedidos pelos operários de completar o desmonte, os homens partem, deixando para trás os trabalhadores atônitos. Afinal, o que é que se passa? Eles discutem febrilmente, à espera de que chegue a administração. Quando isto acontece, o discurso eufemístico apenas deixa claro que o jogo é mesmo de destruição da fábrica, dos empregos e de parte da história de todos aqueles que dali fizeram o centro de suas vidas.
 
A partir daí, o filme alterna seus climas, de uma energia febril próxima ao documental, passando por debates de intelectuais em torno de marxismo e globalização, chegando ao musical e à metalinguagem – afinal, interfere na narrativa também a figura de um diretor de cinema (supostamente argentino), o que conduz este filme fascinante a novos rumos a cada momento.
 
Pode-se apontar, com razão, algum parentesco de A Fábrica de Nada com o cinema do compatriota Miguel Gomes – especialmente sua trilogia As 1001 Noites -, que igualmente se lançava a uma discussão da contemporaneidade fraturada da economia e da sociedade em Portugal, sem deixar de manter ligações com fenômenos que ocorrem em todas as partes do mundo. A grande diferença, no entanto, está no eixo central de A Fábrica de Nada, que sempre volta ao cenário da fábrica desativada, cujos operários lutam para manter funcionando.
 
Em algum momento, entrará em cena a discussão da autogestão como forma de reinventar o emprego dos operários que ficaram – alguns sucumbiram, ao longo do caminho, às pressões para acordos financeiros e partiram. O tema surge diretamente da inspiração de um caso real, da fábrica Fatileva, autogerida de 1975 a 2016. Outra inspiração a guiar o filme foi a peça The Nothing Factory, da autora holandesa Judith Herzberg. Mas é evidente que muito mais foi incorporado ao longo da construção do filme, que tem no elenco músicos, atores e não-profissionais no entretenimento.

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança