Juliet, Nua e crua

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Duncan é um professor universitário aficcionado por um cantor norte-americano que sumiu sem deixar vestígios. Em seu blog, junto com outros fãs, disseca a obra do artista. Uma série de incidentes levam sua namorada, Annie, a trocar emails com o cantor, sem que ele saiba, e a vida dela se transforma completamente.


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Crítica Cineweb

21/09/2018

Juliet, nua e crua é baseado no romance homônimo, de 2009, de Nick Hornby, o que já quer dizer muito. Sabemos o que esperar – personagens em crise da meia-idade, referências abundantes de cultura pop e homens brancos ao centro da trama que, geralmente, tem um tom de humor melancólico. Nesse sentido, o filme de Jesse Peretz transporta bem para a tela do cinema o universo do escritor inglês. Mas, por outro lado, é incapaz de levantar voo por conta própria, apesar da presença luminosa de Rose Byrne, como a protagonista.
 
Ela é Annie, uma mulher inteligente que vive uma pequena cidade costeira, presa a um relacionamento de 15 anos que parece ter chegado ao limite. Seu namorado é Duncan Thomson (Chris O'Dowd), professor universitário especializado em televisão (sua aula sobre a série The wire é uma das melhores cenas do filme), e obcecado por um cantor americano que fez sucesso nos anos de 1990, Tucker Crowe (Ethan Hawke), e que depois desapareceu. O professor e outros sujeitos – todos na faixa dos 40 e com níveis variados de nerdice – mantêm um site no qual discutem as músicas e a história do artista, como se fosse um deus – especialmente o álbum “Juliet”, conhecido como o disco do fim do namoro.
 
Depois que Duncan publica uma resenha de uma versão demo do disco, à qual tem acesso, Annie escreve um comentário falando mal do texto e do disco, o que chama a atenção do verdadeiro Tucker, e os dois começam a trocar e-mails confessionais. Porque a trama precisa andar, os dois se tornam amigos e acompanham, por algum tempo, os incidentes da vida um do outro, até que o músico precisa ir a Londres e surge a possibilidade de um encontro. Nesse momento, está mais do que claro que deve (ou deveria) acontecer um romance entre eles.
 
Dirigido por Jesse Peretz (das séries Girls e Orange is the new black), e com roteiro assinado por quatro profissionais – entre eles, a cineasta americana Tamara Jenkins –, Juliet, nua e crua é um filme que vai perdendo a graça conforme vai se desenrolando, pois tudo soa esquemático e forçado. Há, por exemplo, uma cena num hospital quando acabam se reunindo os quatro filhos de Tucker (cada um de uma mãe), que poderia ser divertida mas é pura gritaria.
 
Hawke lembra mais ou menos sua interpretação na trilogia romântica dirigida por Richard Linklater, o que faz seu personagem parecer reciclado, enquanto o professor de O’Dowd é uma versão caricata dos homens obcecados por música criados por Hornby – como o protagonista de Alta fidelidade (interpretado por John Cusack, no filme de 2000), seu livro e adaptação mais famosos. Sobra para Byrne praticamente carregar o filme nas costas. Ela é uma atriz sagaz e consegue extrair vida de uma personagem, que, nas mãos de outra, poderia perder as nuances. É fácil compreender sua frustração com o namorado. O resultado não é que o filme seja propriamente ruim, mas, como a vida de Annie, poderia ser mais ousado e sair da mesmice. 

Alysson Oliveira


Trailer


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