Papillon

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Papillon vive de pequenos golpes, mas acaba preso e condenado por um assassinato que não cometeu. Ele é mandado para um presídio na Guiana Francesa, onde fica amigo de um falsificador rico, cujo dinheiro pode ajudá-los a fugir dali.


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Crítica Cineweb

26/09/2018

Lançado em 1973, a primeira adaptação do livro de memórias do francês Henri Charrière, Papillon, encontrou o mundo num momento de virada – quando o espírito de rebeldia, revolução e liberdade da década anterior começava se deteriorar, uma crise financeira se formava, e o ocidente nunca mais seria o mesmo. De certa forma, o longa, roteirizado por Dalton Trumbo e Lorenzo Semple Jr., captava um sentimento de descrença que precisava, a todo custo, ser revertido. O filme se tornava, então, um libelo à liberdade e à busca pela justiça. Um remake, em pleno 2018, traz, obviamente, outras percepções.
 
Dirigido pelo dinamarquês Michael Noer, a nova adaptação das memórias do francês (escrita por Aaron Guzikowski, a partir dos livros Papillon e Banco, e do roteiro do original) tem outras coisas a dizer sobre o mundo e os homens e mulheres de hoje. É claro que a liberdade e a luta contra a injustiça são temas perenes e estão de ponta a ponta no filme, mesmo que, nas entrelinhas, o novo Papillon também tenha algo a falar sobre a privatização do sistema penitenciário.
 
Papillon – interpretado aqui por Charlie Hunnam – vive de pequenos golpes na Paris do Moulin Rouge, quando é preso e sentenciado à pena perpétua por um assassinato que não cometeu. Ao lado de diversos condenados, é mandado para um presídio na Guiana Francesa. Ainda na viagem, conhece Louis Degas (Rami Malek), um falsificador rico, cujo dinheiro pode ser a garantia de fuga dos dois. O sujeito é frágil e Papillon promete ajudá-lo em troca de uma ajuda financeira para fugirem dali.
 
Na América do Sul, Papi, como é conhecido, sofre todos os tipos de maus-tratos e abusos no presídio. Também faz alianças e inimigos. Sua primeira tentativa de fuga e o espancamento de um guarda levam o protagonista a uma solitária, onde quase perde a sanidade, além de muitos quilos. E esse é só mais um degrau em sua descida ao infermo.
 
Noer é bem menos ambicioso do que o diretor do original, Franklin J. Schaffner (que já tinha em seu currículo O planeta dos macacos e Patton, entre outros). Ele contava com o star power de Steve McQueen e Dustin Hoffman nos papéis centrais e realizou um épico sobre um sonho de liberdade. A nova versão tem as interpretações empenhadas de Malek e, especialmente, Hunnam, cuja deterioração física é impressionante. No entanto, a relação entre os dois personagens nunca consegue atingir a mesma ressonância que entre McQueen e Hoffman. Noer também abre mão de uma das melhores sequências do original, numa aldeia de nativos na Colômbia.
 
A violência gráfica aqui é mais gritante – possivelmente mais alinhada às sensibilidades contemporâneas –, mas o filme nunca atinge a grandiosidade que poderia ter. É verdade que Noer aceitou um grande desafio e não fez (muito) feio, mas o Papillon de 1973 é mais poderoso em seu retrato grandioso do desespero e da luta pela liberdade. 

Alysson Oliveira


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