Millennium - A garota na teia de aranha

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

A hacker Lisbeth Salander vê-se envolvida numa trama sobre corrupção governamental, armas nucleares, quando, finalmente, o seu passado também bate à sua porta.


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Crítica Cineweb

26/09/2018

Impossível assistir a Millennium: A Garota na Teia de Aranha e não passar o tempo todo se perguntando o que fizeram com Lisbeth Salander, a hacker atormentada e personagem icônica, que aqui se transforma em algo genérico, assim como o filme, dirigido por Fede Alvarez (O homem das trevas). A protagonista é uma espécie de James Bond, com superpoderes tecnológicos, e o fato de nem precisar ser uma mulher anula toda a potência que ela tinha nos outros quatro filmes – três suecos (interpretada por Noomi Rapace) e um americano (interpretada por Rooney Mara).
 
A culpa aqui nem é da atriz Claire Foy – cuja competência pode ser atestada no recente O primeiro homem –, mas de um roteiro anódino e da direção pouco inspirada. A trama vem do livro homônimo que foi escrito por David Lagercrantz, que assumiu a série de romances depois da morte de seu criador, Stieg Larsson. O resultado é um enredo que não empolga, dando a Salander a principal função de ficar apertando botões de seu computador. O jornalista Mikael Blomkvist também já viu dias melhores, e aqui está mais apagado do que nunca – parte disso culpa de uma interpretação anódina do sueco Sverrir Gudnason, a quem falta o punch que fez do personagem marcante nas mãos de Michael Nyqvist e Daniel Craig.
 
A desculpa do enredo é a disputa pelos códigos de programa chamado FireFall que dá acesso aos códigos das armas nucleares de todo mundo, criado por Frans Balder (Stephen Merchant), ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança - que, arrependido, crê que os EUA não merecem tanto poder. Ele contata Salander pedindo ajuda, mas ela precisa dos códigos que abram o sistema. Balder, por sua vez, está novamente arrependido e pede ajuda ao serviço secreto sueco, que o coloca sob proteção junto com o filho pequeno (Christopher Convery). Nos EUA, um agente da NSA (Lakeith Stanfield), localiza um download do programa em Estocolmo e vai até lá investigar.
 
Essa trama vai se unir à infância traumática de Salander de maneiras que não são totalmente convincentes – aliás, nem o passado dela, em relação aos outros filmes, faz muito sentido aqui. A personagem que se apresenta em A Garota na Teia de Aranha é uma caricatura daquilo tudo o que a hacker já foi nos outros longas. Sua força era lutar contra homens que odiavam as mulheres e abusavam delas – seu status vinha disso. O mais irônico é que num momento como o atual, em que essa luta ganha mais força, a hacker se torna mero fetiche masculino. O resultado na tela é previsível, adornado por uma trilha sonora onipresente e uma direção burocrática. Se a ideia era relançar a franquia, esse longa prenuncia uma morte prematura.

Alysson Oliveira


Trailer


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