Djon África

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Miguel é um jovem que vive em Lisboa e fica intrigado quando alguém diz que ele se parece com o pai, que nunca conheceu. Depois que a avó lhe dá algumas informações, ele resolve ir a Cabo Verde, tentar encontrá-lo.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

27/09/2018

Djon África marca a estreia em longa-metragem não-documental do casal de documentaristas portugueses João Miller Guerra e Filipa Reis. O filme é um híbrido entre ficção e documentário, um dispositivo bastante usado nos últimos tempos, mas, ao contrário de boa parte dos exemplares do gênero, aqui o jogo de cena não é mero exibicionismo narrativo. O interesse dos diretores é trazer mais camadas de compreensão de seu personagem-título, da jornada dele (de Lisboa a Cabo Verde) e do nosso mundo contemporâneo.
 
Miguel (Miguel Moreira), também conhecido como Tibars e Djon África, é um jovem lisboeta que foi criado pela avó, e nunca conheceu um pai. Quando uma mulher, na rua, diz que ele é igualzinho a um homem que ela conheceu em Cabo Verde, vem a vontade de encontrar o pai. A única informação que tem é que ele tinha uma irmã, na capital do país, a cidade de Praia.
 
Há algo de fantasia também em Djon África logo a partir dos créditos iniciais, dentro do avião, quando o colorido cabo-verdiano começa a tomar conta do filme, enquanto o protagonista imagina uma grupo de belas mulheres dançando para ele. Isso dá o tom daquilo que o rapaz espera encontrar no país africano.
 
Evidentemente, nem tudo é realmente como ele imaginava. Logo descobre que a tia morreu, mas seus conhecidos em Tarrafal podem ajudá-lo. Os problemas começam, primeiro porque ele vai para a Tarrafal errada, mas também por conta de um deslocamento identitário. Miguel é português, mas se sente cabo-verdiano, seus cabelos são a prova disso. A jornada do filme pelas ilhas é a jornada de autodescoberta e afirmação do protagonista.
 
Ele é e não é um estrangeiro, numa terra que não é a sua – mas pode vir a ser. Em seu país natal, ele também é tratado como forasteiro. Essa dicotomia do personagem é observada com destreza e profundidade pelo filme. A identidade dele existe entre fronteiras – reais e imaginárias –, e sua busca gera momentos documentais, com as figuras com quem ele cruza pelo caminho.
 
Cabo Verde explode na tela em cores – a fotografia de Vasco Viana (A fábrica de nada) capta a paisagem local com beleza, sem o prisma do exotismo – e sons. Miguel fica alucinado com o mundo que descobre, e mais ainda em saber que suas origens estão ali. O longa não se deixa levar pelo olhar do europeu sobre a ex-colônia, nunca é indulgente e, como tudo parte do protagonista, o olhar de ambos – filme e personagem – é de curiosidade, paixão e até gratidão. 

Alysson Oliveira


Trailer


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