La quietud

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Crítica Cineweb

01/11/2018

Os dois últimos trabalhos do diretor argentino Pablo Trapero, O clã (2015) e La Quietud, poderiam trocar de título um com o outro sem qualquer problema. Não apenas isso: ambos têm ao centro uma família (de classe média, e alta, respectivamente) e a ditadura argentina. “Não foi proposital. Escrevi La Quietud sem me dar conta disso, só fui perceber como os dois filmes estão próximos na finalização”, contou em entrevista ao Cineweb.
 
O ponto de partida de La Quietud, em exibição na 42a Mostra, foi a vontade de fazer um retrato íntimo e extremo de uma família rica comandada por uma mulher – um matriarcado, ao contrário de O clã, em que era forte a figura paterna. Além disso, Trapero, que também assina o roteiro, queria voltar a trabalhar com sua companheira, Martina Gusman, com quem já fez Nascido e Criado (2006), Leonera (2008), Abutres (2010) e ElefanteBranco (2012). “A participação dela foi fundamental desde o roteiro, porque é um filme sobre o universo feminino”. As protagonistas do longa são duas irmãs, Mia e Eugenia, interpretadas por Gusman e Bérénice Bejo (O artista), de quem o diretor e sua mulher são amigos de longa data, mas nunca haviam trabalhado juntos. “Somos amigos bem próximos. Ela e o marido [o cineasta francês Michel Hazanavicius] hospedaram-se na nossa casa enquanto fazíamos o filme”.
 
“Eu precisava de duas atrizes que fossem fisicamente parecidas. As personagens são como se fossem uma mesma mulher dividida em dois corpos. É a minha homenagem ao surrealismo de Luis Buñuel e a Um corpo que cai”. Mia mora com os pais numa propriedade rural chamada La Quietud, enquanto Eugenia volta de Paris quando o pai sofre um infarto. A trama é repleta de segredos e traições e tem um quê de Nelson Rodrigues também.
 
O pano de fundo do longa são as cicatrizes da ditadura e o silêncio daqueles que lucraram com o governo militar na Argentina – daí também o título. “Este é um filme sobre a reconstrução do passado, tanto o pessoal da família, quanto o histórico do país. Só no final elas tentam livrar-se do peso do passado e viver no presente”. Trapero conta que, quando seu país foi redemocratizado, ele ainda era criança, estava terminando a escola primária. “Obviamente eu não tinha uma visão política do que estava acontecendo, mas foi algo que aprendi logo e até hoje sigo aprendendo. Tenho um filho de 16 anos e espero que sua geração não precise enfrentar algo parecido. Eu sou otimista, mas sei que não é algo que se superou. É preciso ter um fecho e, para que isso aconteça, é preciso estudar a história”.
 
Atualmente, o diretor termina as filmagens da série Zerozerozero, baseada num romance do italiano Roberto Saviano (Gomorra), e que tem no elenco Gabriel Byrne, Dane DeHaan  e Andrea Riseborough. “É um projeto grande, filmado na América do Sul, Itália e Marrocos. E será lançado pela Amazon no próximo ano”. 

Alysson Oliveira


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