A prece

Ficha técnica


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Sinopse

Thomas é um jovem viciado em heroína que procura largar a droga. Para isso, isola-se numa comunidade terapêutica nas montanhas, onde o cotidiano de todos os moradores, ex-viciados, transcorre entre trabalho e oração. Ele luta contra os sintomas físicos da desintoxicação e as dúvidas sobre o futuro.


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Crítica Cineweb

05/11/2018

O jovem Anthony Bajon venceu o prêmio de melhor ator no Festival de Berlim por sua impressionante entrega no papel de Thomas, o atormentado protagonista do drama A Prece, em que o diretor Cédric Khan exercita uma forma peculiar de investigação, em torno dos dilemas da reabilitação do vício das drogas – sem discurso ou moral feita, mas com uma dedicada procura da verdade de seus personagens.
 
Ex-viciado em heroína, Thomas é o mais novo integrante de uma comunidade católica de recuperação, nas montanhas da região de Isère, em que o processo de cura passa pelo trabalho, a oração e a busca de si mesmo. Não é uma clínica nem um mosteiro, ainda que parte do dia seja passada em preces.
 
Os primeiros tempos de Thomas são turbulentos, não só porque ele não consegue articular em palavras seu tormento interior, como pelas próprias consequências físicas da abstinência, que provocam vômitos, convulsões e muitas dores. Tudo isso, mais a solidão, o isolamento, a quebra de todos os contatos anteriores alimentam uma tensão que ameaça romper o compromisso de Thomas com sua desintoxicação.
 
O desenvolvimento dos processos do protagonista dão-se na tela, junto com o filme, já que não se tem qualquer informação prévia sobre seu passado, o que impede uma psicologização superficial das causas de seu calvário atual. Este detalhe tem a vantagem de permitir ao espectador seguir o personagem em seus atos, participando com sua própria intuição para desvendá-lo, solidarizando-se ou não com ele.
 
A batalha por uma nova normalidade é latente em cada um dos moradores da comunidade, desde o experiente líder Marco (Alex Brendemühl), um ex-alcoólatra, e também Pierre (Damien Chapelle), ligeiramente mais velho do que Thomas, com uma história familiar complicada e que foi encarregado de tomar conta do novato, amparando-o em sua jornada.
 
Muitas cenas de rezas, leitura de passagens do Evangelho e também a visita da irmã Myriam (Hanna Schygulla), protetora desta comunidade, permitem que a própria fé religiosa seja colocada em discussão. Afinal, Thomas, que decorou todos os Salmos, reza com genuína convicção ou trata-se apenas de uma tábua de salvação?
 
Este desprendimento em relação à religião e a colocação dos dilemas existenciais de Thomas com clara honestidade são alguns dos pontos altos da direção de Khan, que não reforça dogmas nem procura definições definitivas sobre os grandes problemas de seus personagens – aqui, jovens de várias origens sociais e étnicas, unidos sob o esforço de deixar para trás uma dependência química que lhes causa grande sofrimento.
 
O que está em causa em A Prece é a jornada existencial de jovens em nosso tempo, à procura de caminhos que não se esgotam nas paredes protegidas da comunidade – de onde muitos hesitam em sair, por anos, temendo um novo confronto desastroso com o mundo exterior. Este reconhecimento de uma diversidade humana, em que podem caber inúmeras escolhas, é o que o filme, roteirizado por Khan, Fanny Burdino e Samuel Doux, tem de mais humanista.

Neusa Barbosa


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